Investigação aponta suspeita de operações do Banco Genial em favor de grupo ligado ao PCC
Decisão judicial cita empréstimos superiores a R$ 160 milhões e possíveis alertas ignorados pelo banco

Foto: Divulgação/Genial Investimentos
O Banco Genial é citado na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de estruturas do mercado financeiro. Segundo a decisão judicial que autorizou as buscas, a instituição teria realizado operações que beneficiaram um grupo investigado por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações são de coluna da jornalista Gabriella Furquim, do portal Metrópoles.
As investigações apontam que Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, teriam estruturado operações para adquirir a distribuidora de combustíveis Terrana e ocultar imóveis em fundos de investimento, após romperem com a gestora Reag.
Empréstimos superiores a R$ 160 milhões
De acordo com a investigação, o Banco Genial teria utilizado recursos do fundo Radford, vinculado à Usina Itajobi, para conceder empréstimos superiores a R$ 160 milhões a duas empresas constituídas com capital de R$ 1 mil. Os valores teriam financiado a compra da Terrana e de cotas do fundo Derby 44, que abrigava imóveis atribuídos ao grupo investigado.
O ex-diretor e sócio do banco Humberto Arthur Tupinambá foi alvo de mandados de busca e apreensão. A decisão também cita relações de seus irmãos, André e Bruno Tupinambá, com pessoas ligadas ao grupo. Empresas pertencentes aos dois teriam recebido R$ 463 mil cada da Aster Petróleo, apontada nos autos como integrante do esquema.
Os documentos também indicam que o setor de compliance do banco identificou que Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, era alvo de processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por fraude. Apesar do alerta, a operação financeira teria sido mantida.
O que diz o Banco Genial
Em nota, o banco afirmou ter fornecido ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) os documentos e as informações disponíveis sobre as operações envolvendo o fundo Radford. A instituição também declarou ter realizado comunicações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O Genial informou que instaurou uma investigação interna, revisou os procedimentos de crédito, afastou o então diretor dos processos decisórios relacionados e posteriormente o destituiu. Segundo o banco, especialistas externos também foram contratados para revisar e aprimorar os controles internos.
A instituição acrescentou que renunciou à administração do fundo Radford após a deflagração da Operação Carbono Oculto e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.


