Investigação contra Binho Galinha por coação eleitoral é arquivada no TRE-BA
Decisão foi tomada por falta de provas

Foto: Agência Alba
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) arquivou a investigação contra o deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha.
O deputado era investigado por suposta coação eleitoral no município de Milagres, no interior da Bahia. A decisão foi publicada no dia 1º de junho, e assinada pelo relator Moacyr Pitta Lima Filho.
O arquivamento foi efetuado após um pedido da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE). O órgão fez o pedido após concluir que não havia provas mínimas para dar início a uma ação penal contra o parlamentar.
A investigação começou após uma representação da Comissão Provisória Municipal do Partido Progressistas (PP) em Milagres. Segundo a denúncia, ele teria exercido influência indevida nas eleições de 2024 no município, apoiando candidatos do PSD e criando "clima de temor" entre os eleitores da cidade.
O foco principal da investigação foi num episódio que aconteceu em outubro de 2024, na véspera do pleito municipal, numa praça do município. Na ocasião, um homem relatou ter sido agredido em circunstâncias relacionadas à disputa eleitoral de Milagres.
Foi constatado que o homem realmente havia sofrido lesões, mas não houve provas de ligação entre a autoria das agressões e o processo eleitoral. Posteriormente, a vítima recusou prestar novos depoimentos durante as apurações, com receio por sua segurança.
Outras testemunhas mencionadas inicialmente não foram localizadas, e não foi possível obter imagens de câmeras de segurança ou gravações de chamadas de emergências para esclarecer as circunstâncias do caso.
Na análise do processo, o desembargador Moacyr Pitta destaca que os indícios de ilegalidade do deputado se baseiam somente no relato da vítima. Segundo o magistrado, é necessária uma comprovação robusta para configurar o crime previsto no artigo 301 do Código Eleitoral.
Caso surjam novas provas, o inquérito poderá ser reaberto.
Além desta investigação, Binho Galinha também é suspeito de comandar uma milícia, com envolvimento em crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e receptação de peças de veículos roubados na cidade de Feira de Santana.
O parlamentar foi preso em outubro de 2025, dois dias após ser considerado foragido durante a Operação Anômico, desdobramento de uma outra operação da Polícia Federal. Ele atualmente está preso no Complexo Penitenciário Lemos de Brito, em Salvador.
Conforme investigações, o grupo que comandava utilizava empresas de fachada para lavar dinheiro originado em práticas criminosas, como a venda de peças de carros roubados numa loja de Feira de Santana.
A prisão do parlamentar foi mantida por um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), de que o foro por prerrogativa de função se aplica somente a crimes cometidos durante mandatos e relacionados à função parlamentar.
Segundo a Justiça, a maioria dos crimes investigados contra Binho Galinha seriam anteriores ao mandato atual.
O processo agora seguirá para alegações finais da acusação e defesa. Caso condenado, as penas somadas podem ultrapassar 50 anos de prisão.


