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Investigação da Agência Pública aponta Angelo Coronel como integrante de grupo que atua em defesa das bets no Congresso

Reportagem identifica articulação informal de parlamentares para influenciar projetos de lei, reduzir tributação e defender interesses das empresas de apostas esportivas.

Por Da Redação
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Investigação da Agência Pública aponta Angelo Coronel como integrante de grupo que atua em defesa das bets no Congresso

Foto: Reprodução/Instagram

O senador baiano Angelo Coronel (Republicanos) é citado em uma investigação da Agência Pública como um dos principais integrantes de uma articulação informal de parlamentares que atuaria em defesa dos interesses das empresas de apostas esportivas no Congresso Nacional. A reportagem, publicada nesta quinta-feira (2), aponta que o grupo, apelidado de "Bancada das Bets", teria influência na tramitação de projetos relacionados ao setor e seria formado por deputados e senadores de diferentes partidos.

Segundo a Agência Pública, Coronel aparece entre os seis parlamentares considerados centrais nas articulações em favor das plataformas de apostas, ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), dos deputados Dr. Luizinho (PP-RJ), Felipe Carreras (PSB-PE) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), além do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A apuração afirma que o grupo atua de forma informal, sem constituir uma frente parlamentar oficial, mas com forte influência nos bastidores da Câmara e do Senado. Entre as estratégias apontadas estão a negociação de mudanças em projetos de lei, a atuação para barrar o aumento da carga tributária sobre o setor e a interlocução direta com representantes das empresas de apostas.

No caso de Angelo Coronel, a investigação relembra sua participação como relator do projeto que regulamentou as apostas esportivas no Senado, em 2023. Conforme a reportagem, durante a tramitação da proposta, o parlamentar apresentou alterações que reduziram a tributação prevista para as empresas do setor. À época, o senador defendeu que uma carga tributária menor estimularia a formalização do mercado e ampliaria a arrecadação do governo por meio da regulamentação.

A Agência Pública também destaca que Coronel se posicionou publicamente contra propostas de aumento de impostos para as bets, argumento compartilhado por outros integrantes do grupo. Segundo a investigação, parlamentares ligados ao setor têm defendido que uma tributação mais elevada poderia afastar empresas do mercado regulado e favorecer a atuação de plataformas ilegais.

Outro ponto abordado pela reportagem é a atuação da chamada bancada durante a tramitação do chamado PL Antifacção. Conforme a investigação, parlamentares trabalharam para retirar do texto a criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Bets), que previa uma alíquota de 15% sobre a receita das casas de apostas. A estimativa era de arrecadação anual de cerca de R$ 30 bilhões, destinada ao financiamento de ações de segurança pública.

A apuração também menciona a atuação do grupo em relação ao Projeto de Lei nº 5.473/2025, de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que propõe ampliar a tributação sobre empresas de apostas, bancos e fintechs. Embora tenha sido aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o texto ainda aguarda votação em plenário.

A investigação ainda revisita os bastidores da CPI das Bets, encerrada em junho de 2025 sem a aprovação do relatório final. Segundo a Agência Pública, a rejeição do documento que foi considerada inédita nos últimos anos, teve como resultado à partir de uma articulação política que impediu o avanço das propostas de indiciamento de empresários e influenciadores ligados ao setor.

Procurados pela Agência Pública, parlamentares citados na reportagem negaram atuar em favor das empresas de apostas ou afirmaram defender apenas a regulamentação do mercado e a segurança jurídica para o setor. Outros não responderam aos questionamentos até a publicação da investigação.

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