"João Roma trocou as próprias convicções por um lugar na chapa", critica Professora Delliana
Em 2022, Roma acusou ACM Neto de ser "afroconveniente", fugir dos debates e integrar um grupo que se reveza no poder

Foto: Divulgação / Bruno Hierro
A candidata ao Senado pela Bahia, Professora Delliana Ricelli (PSOL), criticou em suas redes sociais, na tarde desta quinta (10), a mudança radical no discurso de João Roma sobre ACM Neto. Adversários nas eleições de 2022, quando protagonizaram confrontos públicos, os dois agora integram a mesma chapa eleitoral. Para Delliana, a substituição dos ataques por elogios expõe uma postura orientada pela conveniência partidária e levanta dúvidas sobre a coerência dos compromissos apresentados aos eleitores.
Durante a campanha de 2022, João Roma fez críticas contundentes ao então adversário. Em um dos confrontos, questionou a maneira como ACM Neto tratava sua identidade racial: “Nesses 20 anos de convivência, você nunca me falou que era negão”. Em seguida, perguntou: “Você quer ser agora um afroconveniente?”.
Roma também acusou o ex-prefeito de Salvador de evitar os debates eleitorais. “Quem quer governar a Bahia não pode ficar em cima do muro”, declarou na época. Em outra ocasião, afirmou que “o ex-prefeito fugiu do debate”.
As críticas ultrapassavam a conduta pessoal de ACM Neto e atingiam o próprio grupo político do qual Roma agora faz parte. “São dois grupos que se revezam no poder e têm por hábito aumentar os impostos”, afirmou o então candidato ao Governo da Bahia.
Na mesma campanha, Roma descreveu ACM Neto como um “riquinho” preocupado com “roupa cara, pulseira e carro de luxo”. Também o chamou de “cara de madeira” ao questionar suas propostas e sua capacidade de compreender a realidade da população mais pobre.
Quatro anos depois, o discurso mudou completamente. Agora aliado de ACM Neto, João Roma passou a descrevê-lo como uma pessoa de “coração limpo”, “realmente motivada” e “muito conectada”. Também afirmou que o antigo adversário estaria “sintonizado com as pessoas” e seria capaz de enxergar as “necessidades de cada um”.
Para Professora Delliana, João Roma deve explicar à população se as acusações feitas em 2022 eram verdadeiras ou se foram utilizadas apenas como estratégia eleitoral.
“João Roma precisa responder: ACM Neto deixou de ser o ‘riquinho’, o ‘afroconveniente’ e o político que fugia dos debates ou essas acusações nunca foram sinceras? Quem dizia que não se podia ficar em cima do muro agora atravessou para o outro lado em troca de um lugar na chapa. Isso não é mudança de opinião; é conveniência eleitoral”, afirmou Delliana.
A candidata também destacou a contradição de Roma ao se aliar justamente a um dos grupos que, segundo ele próprio, se revezavam no poder e tinham o hábito de aumentar impostos.
“Roma denunciava o revezamento dos mesmos grupos no poder, mas agora se acomoda dentro de um deles. Trocou as próprias convicções por um lugar na chapa e espera que o eleitor simplesmente esqueça tudo o que ouviu em 2022. A política não pode ser um jogo em que os discursos mudam conforme os interesses pessoais”, declarou.
Para Delliana, o histórico das declarações deve servir de alerta aos eleitores, principalmente diante de uma mudança ocorrida após a construção da aliança eleitoral.
“Se um político muda completamente o que dizia acreditar para garantir espaço em uma chapa, qual segurança o povo tem de que ele não mudará novamente depois de receber o voto? Quem abandona o próprio discurso por conveniência também pode abandonar os compromissos assumidos com a população”, alertou.
Delliana defendeu que divergências políticas podem ser superadas, mas ponderou que uma mudança tão profunda exige explicações públicas.
Segundo ela, não basta apagar os ataques do passado e substituí-los por elogios quando os antigos adversários passam a compartilhar o mesmo projeto de poder.
“O eleitor baiano merece coerência e respeito. Mandato não pode ser tratado como resultado de acordos entre grupos que ontem se atacavam e hoje se unem para preservar espaços de poder. O voto do povo exige responsabilidade, memória e compromisso”, concluiu Professora Delliana.


