Jurista sul-africana que julgou genocídio em Ruanda, Navi Pillay, recebe Nobel da Paz 2026
Anúncio foi feito nesta sexta-feira (9), pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo

Foto: Nobel/Divulgação
O Prêmio Nobel da Paz 2026 foi concedido à jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos. O anúncio foi feito pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, nesta sexta-feira (10).
Segundo informado pelo presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, ela foi homenageada "por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional". Além disso também foram citadas as seguintes atualizações:
• chefiou a área de direitos humanos da ONU;
• garantiu que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado quando ele estava preso durante o Apartheid;
• julgou o genocídio em Ruanda;
• presidiu o comitê contratado pela ONU que determinou que Israel cometeu genocídio em Gaza;
• se tornou a primeira mulher não branca na Suprema Corte da África do Sul.
Pillay foi a 21ª mulher a ser laureada com o Nobel da Paz, que conta com um total de 144 vencedores. Além de uma medalha de ouro com o perfil de Alfredo Nobel, fundador do prêmio, Pillay também receberá 12 milhões de coroas suecas.
Em discurso após o anúncio, a jurista sul-africana defendeu os direitos humanos e falou sobre "sua coragem" ter sido destaca tanto pelo Comitê Norueguês do Nobel sobre as reações a seu relatório de genocídio em Gaza.
Carreira jurídica
Navanethem Pillay iniciou sua carreira jurídica durante o apartheid, regime de segregação racial que vigorou na África do Sul entre 1948 e o início da década de 1990. O sistema privilegiava a minoria branca e restringia direitos políticos e civis da população negra.
O Congresso Nacional Africano (CNA), partido que liderou a luta contra o regime, descreve Pillay como uma ativista antiapartheid cuja trajetória está ligada à luta pela libertação do país.
Durante sua atuação, Pillay ajudou a garantir que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado enquanto estava preso. Após o fim do regime, foi nomeada por Mandela para a Suprema Corte da África do Sul, tornando-se a primeira mulher não branca a integrar o tribunal.
A partir de 1995, sua carreira ganhou dimensão internacional. Pillay atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar responsáveis pelo genocídio de 1994, e chegou à presidência da corte.
Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, função que envolve o monitoramento de violações e a promoção da proteção dos direitos humanos em todo o mundo.


