Lula avalia convite de Trump para conselho sobre a Faixa de Gaza
Governo analisa objetivos, composição do grupo e implicações políticas e financeiras

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, nesta segunda-feira (19), com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio do Planalto, para discutir o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Brasil integre um “Conselho de paz” voltado à Faixa de Gaza.
De acordo com auxiliares do presidente, Lula ainda não decidiu se aceitará o convite. O governo analisa o conteúdo do documento enviado pela Casa Branca e as possíveis implicações políticas e diplomáticas da participação brasileira.
Entre os pontos em avaliação estão os objetivos do conselho, os países que devem integrar o grupo, as posições desses governos em relação à guerra e eventuais custos financeiros decorrentes das decisões que venham a ser tomadas.
O anúncio da criação do conselho foi feito na semana passada. Segundo a Casa Branca, o grupo deverá discutir temas como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.
Em manifestações públicas, Lula tem criticado as ações do governo de Israel na Faixa de Gaza e já afirmou que há atos de “genocídio” contra o povo palestino. O chanceler Mauro Vieira também declarou que as ações militares israelenses configuram uma “carnificina” e que as ofensivas contra civis “já ultrapassaram há muito tempo qualquer limite de proporcionalidade”, embora reconheça o direito de Israel à defesa.
A criação do chamado “Conselho de Paz” é apontada pelo governo norte-americano como parte da segunda fase de um plano apoiado por Washington para encerrar o conflito. Ao anunciar a iniciativa, Trump afirmou: “Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”.
O Brasil reconhece o Estado da Palestina e, em outubro de 2023, tentou aprovar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que previa cessar-fogo e entrada permanente de ajuda humanitária em Gaza. A proposta foi vetada pelos Estados Unidos. Desde então, críticas do governo brasileiro às ações de Israel contribuíram para um distanciamento diplomático entre os dois países.
Apesar disso, integrantes do governo afirmam que o Brasil apoia iniciativas internacionais que possam contribuir para a construção de uma solução pacífica para o conflito.


