Lutando pela vida, Roseana Sarney desabafa: “Dias bons, e outros nem tanto”!

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Por Michel Telles
Às

Lutando pela vida, Roseana Sarney desabafa: “Dias bons, e outros nem tanto”!

Foto: Arquivo pessoal

Roseana Sarney deu uma entrevista exclusiva (e emocionante), para a jornalista Lu Lacerda, da Veja Rio. Meus problemas de saúde começaram quando, aos 19, fiz minha primeira cirurgia. De lá pra cá foram inúmeras intervenções. Lembro um episódio curioso, em 2008. A convite do Dr. João Batista Garcia, fiz histerectomia e por aí vai.

Pois não é que no ano seguinte, em 2009, tive que abrir a cabeça para operar um aneurisma cerebral? Apesar de encarar todos esses problemas com muita determinação e coragem, o sofrimento é grande. Exames aos montes: desde os mais simples, como coleta de sangue e RX, até os mais complexos e invasivos, como TC, RM, Pet Scan e amostras de tecidos para biópsias, extraídas com com agulhas enormes. Após os exames, ansiedade e tensão, à espera de resultados que me levaram a realizar 26 cirurgias. Não foi diferente agora, com a descoberta de um tumor na mama esquerda. Diagnóstico: “Carcinoma mamário apócrino com receptores hormonais e HER-2 negativos, grau 3 histológico”. O que mais me deixou atônita foi a rapidez com que esse tumor se desenvolveu – em maio de 2024, no meu checkup anual, os exames não acusaram nada. Já em agosto de 2025, no primeiro da série – US –, a radiologista informou-me que teria que fazer uma biópsia para confirmar o que as imagens revelavam. 

Não deu outra: com a confirmação, meus médicos, que me acompanham há anos, chamaram um oncologista especializado em mama para indicar o tratamento necessário – seis meses de químio e imunoterapia,  cirurgia e mais seis meses de quimioterapia oral. Ao ouvir tudo isso, era como se o mundo tivesse desabado sobre minha cabeça. Novamente? Mais dor, mais sofrimento, depois de tudo por que já passei?  

Fui buscar a coragem e a determinação de que falei antes e comecei nova batalha. Não estou exagerando, tem sido uma batalha. A medicação venosa me causou uma série de problemas: tufos de cabelo começaram a cair e pedi para raspar minha cabeça; duas pneumonias; trombose; embolia pulmonar; síndrome de pé e mão, que deixa os dedos e a sola dos pés sensíveis e doloridos; alergia e coceira tão grandes que não consegui fazer as quatros últimas sessões de imunoterapia. 

Para piorar, tive uma distensão abdominal que paralisou o intestino e nos deixou apreensivos – se tivesse que abrir a barriga  novamente, não sei o que teria acontecido. Em fevereiro, cirurgia para retirada das duas mamas. Transcorreu sem maiores problemas e, em março, reiniciei a químio oral.  Apesar de menos invasiva que a anterior, são 4 comprimidos diários, semana sim, semana não, que me deixam nauseada,  cansada e com sensação de fraqueza. 

Como suportar tudo isso sem desesperar? No meu caso, a fé e a segurança do afeto de muitos – meu marido, minha filha, meus netos, minha família, meus amigos, meus médicos e suas equipes, de uma dedicação comovente, além da solidariedade e do carinho de milhares de pessoas que me acompanham nas redes sociais. A fé é um acalanto, sempre. 

Sem contar que todos os dias, desde que iniciei o tratamento, não durmo sem ouvir uma canção que me acalma e me dá paz – “Nossa Senhora”, de Roberto Carlos (“Cubra-me com seu manto de amor/Guarda-me na paz desse olhar/Cura-me as feridas e a dor me faz suportar…”). 

E assim toco o meu cotidiano o mais normal que consigo: fisioterapia, vídeos, TV. E rezo. Rezo muito.  

Recebo e busco orações para cada etapa do tratamento. Em dias de mais energia, arrisco até uma voltinha no shopping, um passeio curto, um encontro com amigas para um bate-papo. São alegrias que me fortalecem. 

Tenho 72 anos. Dias bons, e outros nem tanto, são parte da vida de todos nós. 

 

 

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