'Machista, ao estilo de Bolsonaro e do ‘imbrochável’, diz Carla Akotirene sobre Bruno Reis recomendar 'viagra' a Jerônimo
Intelectual critica comparação entre capacidade de governar e potência masculina e alerta para risco de esvaziamento das políticas públicas em eventual gestão de ACM Neto

Foto: Divulgação/GOV-BA | Divulgação | Ane Catarine/Farol da Bahia
A intelectual e pesquisadora Carla Akotirene classificou como machista a declaração do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), que ironizou a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) ao falar em “falta de pegada” e sugerir o uso de Viagra. Para ela, a fala reproduz uma concepção de poder baseada na dominação masculina e dialoga com grupos contrários aos direitos das mulheres.
“Fazendo uma análise do discurso, percebe-se uma tentativa machista, ao estilo de Bolsonaro e do ‘imbrochável’, de equiparar governança à dominação masculina, como se as políticas públicas de igualdade racial ou para as mulheres diminuíssem a potência da gestão de Jerônimo”, afirmou Akotirene.
A declaração de Bruno Reis foi dada ao comentar o cenário político estadual e defender a candidatura do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia durante entrevista ao programa Giro Baiana, na Rádio Baiana FM (89,3 FM) e transmissão da BNEWS TV, nesta quarta-feira (12). Ao recorrer a uma metáfora sexual para questionar a capacidade administrativa do atual governador, o prefeito afirmou que estaria faltando “pegada” ao governo e sugeriu “um Viagra” para resolver o problema.
Segundo Carla Akotirene, a força de um governante não pode ser medida por uma lógica de imposição masculina.
“No Estado Democrático de Direito, a vitalidade de um governante é conhecida pela capacidade de romper com uma posição paternalista, baseada na força bruta, e de reconhecer a importância das leis e dos programas de prevenção às violências de gênero”, declarou.


