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“Mapa Invisível do Luxo no Brasil” revela onde está a riqueza que não aparece no mapa tradicional!

Pesquisa de Tamara Lorenzoni amplia o olhar sobre o mercado de alto padrão e mostra como patrimônio, experiências e consumo sofisticado também ganham força longe do eixo Rio-São Paulo

Por Michel Telles
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“Mapa Invisível do Luxo no Brasil” revela onde está a riqueza que não aparece no mapa tradicional!

Foto: Divulgação

Quando se fala em mercado de luxo no Brasil, é quase automático pensar em São Paulo e Rio de Janeiro. São essas cidades que concentram grifes internacionais, hotéis de alto padrão, restaurantes badalados e os endereços mais conhecidos do segmento. Mas existe um outro Brasil , menos evidente, pouco explorado e praticamente ausente dos mapas tradicionais do luxo, onde também circulam riqueza, patrimônio, desejo e experiências de alto padrão.

É justamente esse território que Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional, fundadora da Lorenzoni and Co. e especialista no mercado de luxo, passou a investigar. A partir da experiência acumulada em projetos realizados em diferentes regiões do país e de uma pesquisa sobre riqueza, consumo, comportamento e desejo, nasceu o Mapa Invisível do Luxo no Brasil, um estudo que propõe mudar a forma como o mercado enxerga o luxo dentro do país. “Comecei a perceber que a maneira como falamos sobre o luxo no Brasil acaba criando uma visão muito concentrada. Quando ampliamos o olhar, encontramos outras realidades, com repertórios, formas de consumo e relações com patrimônio que são muito próprias de cada território”, afirma Tamara.

A provocação central da pesquisa é simples: o que acontece quando o mapa do luxo deixa de terminar nas grandes capitais?

A resposta passa por cidades e regiões que, embora não estejam tradicionalmente associadas ao segmento, apresentam características cada vez mais relevantes para o mercado de alta exigência. São territórios onde o luxo pode se manifestar por meio da construção de patrimônio, da arquitetura, da hospitalidade, da gastronomia, do turismo, dos serviços personalizados e de experiências pensadas para um público que busca exclusividade.

Para Tamara, o principal erro está em tentar aplicar a mesma régua a todos os territórios. “O interior não é uma extensão das capitais. Cada território tem sua própria narrativa, sua herança e seu capital cultural. Quando tentamos analisar todos esses lugares pela mesma lente, perdemos justamente aquilo que os torna singulares”, explica.

Uma das conclusões observadas pela estrategista é que riqueza e luxo nem sempre caminham ao lado da ostentação. Em determinados mercados, quanto mais sofisticada é a relação com o consumo, menos evidente ela pode ser. O luxo pode estar em uma propriedade construída para atravessar gerações, em uma experiência de hospitalidade que não se encontra em grandes centros, em uma gastronomia conectada à identidade local ou na possibilidade de acessar algo raro sem que isso precise ser exibido.

“Existe uma dimensão mais silenciosa do luxo que muitas vezes não aparece nas conversas mais tradicionais. Ela pode estar na raridade, na curadoria, na experiência e na própria relação que as pessoas têm com determinado território”, diz Tamara.

Esse comportamento também ajuda a explicar por que determinados mercados fora do eixo tradicional começam a despertar interesse de marcas, empreendedores e investidores. Mais do que replicar o modelo das capitais, a oportunidade está em identificar o que já existe em cada região e transformar características locais em diferenciais de valor.

O Mapa Invisível do Luxo no Brasil não pretende criar um ranking de cidades mais ricas ou estabelecer novos polos de consumo. A proposta é outra: revelar que o luxo brasileiro é mais diverso do que a percepção tradicional sugere. “Antes de tentar entender para onde o luxo brasileiro está indo, precisamos olhar para onde ele já está. Existe uma parte desse mapa que ainda é pouco percebida”, afirma Tamara.

Segundo a estrategista, essa mudança de perspectiva também exige que marcas e empresas abandonem modelos prontos. Uma experiência sofisticada criada para São Paulo, por exemplo, não necessariamente terá o mesmo significado em outro território. O repertório local, a história, os hábitos e a relação da comunidade com aquele espaço precisam fazer parte da construção. “O luxo não precisa se manifestar da mesma maneira em todos os lugares. A singularidade está em entender o que cada território tem de próprio, o que foi construído ao longo do tempo e aquilo que pode permanecer”, conclui.

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