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Márcio Elias Rosa diz que tarifa sobre etanol dos EUA “nunca” entrou em negociação

Governo descarta reduzir imposto sobre produto americano e alerta para impactos na produção nacional

Por Da Redação
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Márcio Elias Rosa diz que tarifa sobre etanol dos EUA “nunca” entrou em negociação

Foto: Divulgação/MDIC

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira (7) que o governo brasileiro não negocia a redução das tarifas de importação sobre o etanol produzido nos Estados Unidos.

Questionado sobre a proposta apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo americano, o ministro respondeu: “Nunca!”.

Segundo Elias Rosa, o presidente Lula defende que o tema do etanol fique fora das conversas em andamento com os Estados Unidos. Para o ministro, uma abertura maior ao produto norte-americano poderia prejudicar produtores brasileiros, principalmente no Nordeste.

“A produção de etanol, eventualmente a abertura do mercado para o etanol norte-americano, colocaria em risco, sobretudo, a produção do etanol no Nordeste do país, e a gente precisa ter um olhar muito cuidadoso para essa área. É uma área que já vem sofrendo, aliás, com uma redução de preços, e a gente precisa ter muita atenção”, afirmou.

A manifestação ocorre depois de Flávio Bolsonaro enviar uma carta aos Estados Unidos defendendo um acordo de reciprocidade para tarifas de importação de etanol e açúcar. No documento, o senador argumenta que há uma diferença entre as alíquotas cobradas pelos dois países: o Brasil aplica tarifa de 18% sobre o etanol americano, enquanto os Estados Unidos cobram 2,5%.

O tema aparece em meio à investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos sobre práticas brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses americanos. O procedimento cita áreas como Pix, comércio digital, propriedade intelectual, desmatamento e acesso ao mercado de etanol.

Os Estados Unidos ameaçam aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Também há discussão sobre uma possível taxa adicional de 12,5% relacionada a alegações de trabalho escravo, o que poderia elevar a cobrança para 37,5% em alguns casos.

De acordo com Márcio Elias Rosa, as negociações técnicas entre os dois governos continuam. Uma nova reunião deve ocorrer entre o fim desta semana e o início da próxima.

Enquanto isso, representantes dos setores produtivos participam de audiência pública nos Estados Unidos. A decisão final sobre a eventual aplicação das tarifas deve sair até 15 de julho.

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