Marrocos, Escócia e Haiti: quem são os rivais do Brasil na Copa
Semifinalista em 2022, seleção que volta após 28 anos e equipe que retorna depois de meio século compõem o caminho do Brasil na fase de grupos.

Foto: Arte - Farol da Bahia
A Copa do Mundo de 2026 está prestes a começar, e o Brasil iniciará sua caminhada no Grupo C. Antes da bola rolar, vale conhecer melhor os três adversários da Seleção na primeira fase: Marrocos, Escócia e Haiti, seleções que chegam ao torneio com histórias e expectativas bastante diferentes.
Cabeça de chave do grupo, o Brasil tentará avançar às oitavas de final diante de uma chave que reúne a principal força africana da atualidade, uma tradicional seleção europeia que volta ao Mundial após longa ausência e uma equipe caribenha que retorna à competição depois de mais de meio século. O Grupo C promete confrontos marcados por estilos distintos e trajetórias que ajudam a contar parte da história desta Copa do Mundo.
Marrocos chega credenciado pela campanha histórica de 2022
Entre os adversários brasileiros, Marrocos aparece como a seleção que inspira maior atenção. Os Leões do Atlas disputarão sua sétima Copa do Mundo e chegam à América do Norte carregando a confiança construída no Catar, em 2022.
Na última edição do torneio, os marroquinos fizeram história ao se tornarem a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo. No caminho, eliminaram Espanha e Portugal antes de serem derrotados pela França. A campanha transformou a equipe em uma das referências do futebol internacional. O sucesso recente aumentou a expectativa para o Mundial de 2026. O país busca provar que a quarta colocação conquistada no Catar não foi um feito isolado e que a seleção pode novamente figurar entre as protagonistas da competição.
A preparação para a Copa teve uma mudança importante no comando técnico. Menos de cem dias antes do torneio, a federação optou pela troca de treinador. Mohamed Ouahbi assumiu o cargo após ganhar projeção ao conduzir o Marrocos ao título da Copa do Mundo Sub-20 de 2025. Nascido na Bélgica, o técnico de 49 anos construiu grande parte de sua carreira nas categorias de base e passou por clubes tradicionais como o Anderlecht antes de iniciar sua trajetória com as seleções marroquinas. Seu antecessor, Walid Regragui, entrou para a história do futebol do país ao liderar a campanha do Catar. Sob seu comando, Marrocos derrotou seleções tradicionais e se tornou símbolo do crescimento do futebol africano em nível mundial.
Nas eliminatórias, os marroquinos confirmaram o favoritismo. A equipe liderou seu grupo com ampla vantagem e foi a primeira seleção africana a garantir vaga no Mundial de 2026. O destaque ficou para a goleada por 5 a 0 sobre o Níger, resultado que confirmou matematicamente a classificação.
A expectativa da torcida é que o país mantenha o nível apresentado nos últimos anos e siga entre as seleções mais competitivas da competição.
Escócia retorna ao Mundial após quase três décadas
Se Marrocos chega embalado por uma campanha histórica recente, a Escócia desembarca na Copa carregando o sentimento de reencontro com o principal torneio do futebol mundial.
Os escoceses disputarão sua nona Copa do Mundo e encerraram um jejum que durava desde 1998. Foram 28 anos de tentativas frustradas até que a classificação finalmente fosse conquistada. A vaga veio de maneira dramática. Em novembro de 2025, a seleção derrotou a Dinamarca por 4 a 2 em um confronto decisivo e garantiu presença na Copa do Mundo pela primeira vez neste século.
O responsável pela reconstrução da equipe é Steve Clarke. Desde que assumiu o comando técnico em 2019, ele recolocou a Escócia nos grandes torneios internacionais e conquistou um espaço de destaque na história do futebol local.
A Copa do Mundo de 2026 será o terceiro grande torneio alcançado sob seu comando. Nenhum treinador havia conseguido tantas classificações pela seleção escocesa. Conhecido pelo estilo pragmático e pela confiança em um grupo consolidado de jogadores, Clarke apostou na continuidade para devolver competitividade à equipe.
A campanha classificatória teve momentos de turbulência. Em determinado momento, a seleção chegou a ser vaiada pela própria torcida após atuações pouco convincentes contra Grécia e Bielorrússia. A reação veio nos momentos decisivos. A combinação de resultados favoráveis e a vitória marcante sobre a Dinamarca permitiram aos escoceses conquistar a vaga direta para o Mundial.
Agora, a missão é superar uma barreira histórica. Apesar das nove participações, a Escócia jamais conseguiu avançar para uma fase eliminatória de Copa do Mundo.
Haiti volta à Copa após 52 anos
Entre as histórias mais marcantes do Grupo C está a do Haiti. A seleção caribenha voltará a disputar uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1974. Conhecidos como Granadeiros, os haitianos encerraram um jejum de 52 anos e garantiram presença no Mundial graças a uma campanha consistente nas eliminatórias da Concacaf.
O principal responsável pela classificação é Sébastien Migné. O treinador francês assumiu a seleção em março de 2024 e recebeu a missão de recolocar o país no cenário internacional. Antes de chegar ao Haiti, Migné acumulou experiências em diferentes países. Trabalhou em seleções africanas, passou pelo futebol asiático e comandou o Quênia na classificação para a Copa Africana de Nações de 2019. Quando foi apresentado, o treinador falou abertamente sobre o objetivo de levar o Haiti de volta à Copa do Mundo. Pouco mais de um ano depois, conseguiu transformar o discurso em realidade.
A caminhada rumo ao Mundial começou com uma segunda fase sólida, encerrada na vice-liderança do grupo atrás apenas de Curaçao. A única derrota foi justamente para os curaçolenhos, em uma goleada por 5 a 1. Na etapa decisiva, os haitianos enfrentaram um grupo considerado bastante complicado, com Costa Rica, Honduras e Nicarágua. Mesmo diante de adversários mais tradicionais, a seleção mostrou regularidade e conquistou resultados importantes. O desempenho diante da Costa Rica foi determinante para a classificação.
A vaga foi confirmada após vitória por 2 a 0 sobre a Nicarágua, resultado que garantiu a liderança do grupo e selou o retorno haitiano à Copa do Mundo depois de mais de cinco décadas.
Brasil inicia nova tentativa pelo hexa
Do outro lado da chave está a seleção mais tradicional da história da competição. O Brasil disputará sua 23ª Copa do Mundo e segue como a única equipe presente em todas as edições do torneio. A Seleção chega ao Mundial tentando encerrar um jejum que já dura 24 anos desde a conquista do pentacampeonato, em 2002.
A principal novidade está no banco de reservas. Carlo Ancelotti se tornou o primeiro treinador estrangeiro a comandar o Brasil em uma Copa do Mundo. Dono de uma trajetória vitoriosa no futebol europeu, o italiano assumiu a equipe em 2025 e chega ao torneio cercado por expectativa. Esta será sua primeira experiência como técnico de uma seleção nacional.
Nas eliminatórias sul-americanas, o Brasil garantiu classificação entre os seis primeiros colocados e assegurou presença em mais uma edição do Mundial.
O Brasil estreia na Copa do Mundo diante do Marrocos. Na sequência, a Seleção enfrenta a Escócia e encerra sua participação na fase de grupos contra o Haiti. Os dois primeiros colocados da chave avançam diretamente às oitavas de final.


