Meta nega favorecimento político nas eleições de 2026 e atribui problemas a falhas técnicas
Empresa afirma que incidentes envolvendo anúncios, visualizações e inteligência artificial não tiveram motivação política

Foto: Foto: Ricardo Stuckert/PR
A Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, negou nesta sexta-feira (16) ter interferido nas eleições brasileiras de 2026 ou favorecido candidatos. Em manifestação pública, a companhia atribuiu os problemas relatados pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a falhas técnicas e operacionais, além de reforçar que suas regras são aplicadas igualmente a todas as candidaturas.
A declaração ocorre após a campanha de Lula questionar possíveis diferenças no tratamento dado pelas plataformas ao presidente e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa eleitoral. Entre as situações apontadas estão restrições à divulgação de conteúdos, dificuldades para impulsionar publicações e comportamentos considerados irregulares nas ferramentas de inteligência artificial da empresa.
Um dos episódios envolve a ferramenta Meta AI, que teria recusado solicitações para produzir materiais de campanha favoráveis a Lula, enquanto permitia a criação de conteúdos semelhantes relacionados a Flávio Bolsonaro. Segundo a empresa, a inconsistência foi provocada por uma falha nos mecanismos de proteção, que não identificavam adequadamente algumas combinações de nomes próprios e números eleitorais. A Meta informou que corrigiu o problema no mesmo dia em que foi identificado, em 14 de outubro.
A companhia também explicou a desativação temporária da conta de anúncios da campanha petista, ocorrida em 23 de setembro. De acordo com a Meta, o bloqueio durou pouco mais de uma hora e aconteceu porque um anúncio foi identificado incorretamente como possível tentativa de fraude envolvendo um programa social do governo federal. A empresa afirmou que a medida não teve motivação política e que os perfis oficiais de Lula no Instagram e no Facebook não foram bloqueados.
Outro problema mencionado pela empresa foi uma falha na contagem de visualizações de vídeos do Reels, registrada em 7 de outubro. Segundo a Meta, o incidente durou aproximadamente cinco horas e atingiu usuários de mais de 100 países, sem interromper a distribuição das publicações. A companhia acrescentou que a campanha de Flávio Bolsonaro também relatou dificuldades relacionadas ao sistema naquele dia.
Decisão do TSE
Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Meta assegure condições igualitárias de tratamento às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro até o encerramento do segundo turno, previsto para 25 de outubro. Em caso de descumprimento, a decisão prevê multa diária de R$ 500 mil.
A determinação estabelece restrições a eventuais diferenças na distribuição de publicações, nas recomendações de perfis e nos resultados de buscas relacionados aos candidatos. A decisão também prevê medidas para evitar que contas de anúncios sejam desativadas ou que impulsionamentos sejam restringidos sem revisão humana, conforme as condições estabelecidas pelo tribunal.
Apesar das denúncias apresentadas pela campanha petista, o ministro ressaltou que, naquele momento, não havia elementos suficientes para concluir que a plataforma tivesse manipulado deliberadamente a distribuição de conteúdos para beneficiar ou prejudicar uma candidatura.
Em sua manifestação, a Meta afirmou que continuará cumprindo a legislação eleitoral brasileira e as determinações judiciais. A empresa também contestou as acusações de favorecimento político e sustentou que os episódios relatados não demonstram uma tentativa de influenciar o resultado das eleições.


