Montana e Tracker serão os primeiros híbridos da Chevrolet
Confirmação foi feita por vice presidente Fábio Rua

A General Motors avança para iniciar sua ofensiva no segmento de veículos eletrificados fabricados no Brasil. Em entrevista, o vice-presidente da GM América do Sul, Fábio Rua, afirmou que os novos motores híbridos da marca já estão “saindo do forno”, indicando que o projeto entrou em sua etapa final de desenvolvimento.
A declaração reforça o cronograma apresentado recentemente pelo presidente da General Motors América do Sul, Thomas Owsianski. Durante a celebração da produção de cinco milhões de veículos na fábrica de Gravataí (RS), o executivo revelou que os futuros modelos híbridos da Chevrolet passam atualmente pelo processo de homologação.
“Estamos ampliando nosso portfólio com veículos híbridos, híbridos leves e híbridos plug-in. Em breve teremos essas novidades”, afirmou Owsianski.
Embora a Chevrolet ainda não confirme oficialmente quais veículos inaugurarão a tecnologia, Tracker e Montana aparecem como os candidatos mais prováveis. Ambos são produzidos em São Caetano do Sul (SP), compartilham a plataforma GEM e utilizam o mesmo conjunto mecânico equipado com o motor 1.2 turbo flex, facilitando a adoção do novo sistema eletrificado.
Programa de R$ 10,5 bilhões prepara fábricas para eletrificação
A chegada dos híbridos faz parte do maior ciclo de investimentos da General Motors no Brasil dos últimos anos. Inicialmente, a montadora anunciou R$ 7 bilhões para modernização industrial, desenvolvimento de novos produtos e atualização tecnológica.
Em junho deste ano, a empresa acrescentou mais R$ 3,5 bilhões ao plano, elevando o investimento total para R$ 10,5 bilhões até 2028.
Boa parte desse montante será aplicada nas operações paulistas, principalmente em São Caetano do Sul, onde são produzidos Tracker, Montana e Spin. A fábrica também concentra os projetos relacionados aos futuros motores híbridos flex da companhia.
Já a unidade de São José dos Campos permanece responsável pela produção da picape S10, do SUV Trailblazer, além de motores e transmissões, enquanto Mogi das Cruzes fornece componentes estampados para o complexo industrial.
Os recursos também serão destinados à adaptação das linhas de produção, desenvolvimento de novos componentes e preparação da cadeia de fornecedores para a fabricação dos sistemas eletrificados.
Sistema híbrido leve será o primeiro passo
A estratégia inicial da Chevrolet deverá utilizar um sistema híbrido leve de 48 volts (MHEV), solução já adotada por diversas fabricantes para reduzir consumo de combustível e emissões sem alterar significativamente a arquitetura do veículo.
O conjunto deve trabalhar em parceria com o motor 1.2 turbo flex da família CSS Prime. Atualmente, esse propulsor desenvolve até 141 cv de potência e 22,9 kgfm de torque nas versões mais equipadas do Tracker. A fabricante, porém, ainda não divulgou quais serão os números finais de potência, torque e consumo da futura configuração eletrificada.
Ao contrário de um híbrido convencional ou de um híbrido plug-in, um sistema MHEV não é capaz de movimentar o veículo utilizando apenas eletricidade. A função da parte elétrica é auxiliar o motor a combustão durante acelerações e retomadas, além de recuperar energia nas desacelerações e frenagens.
A arquitetura deverá reunir uma máquina elétrica de 48 volts, bateria de pequena capacidade, conversor de tensão e um módulo eletrônico responsável pelo gerenciamento do sistema.
Uma das possibilidades é a utilização de um gerador de partida integrado (BSG), componente ligado ao motor por correia que substitui o alternador e o motor de partida convencionais. Além de permitir partidas mais rápidas e suaves, o equipamento fornece assistência elétrica ao motor a combustão nos momentos de maior demanda.
Economia no uso urbano
A principal vantagem do sistema híbrido leve está na redução do consumo de combustível, especialmente em trajetos urbanos, onde o veículo acelera e desacelera constantemente.
Como a bateria é recarregada durante o próprio funcionamento do automóvel, não há necessidade de tomada externa. O sistema também utiliza um conjunto elétrico significativamente menor e mais simples do que o empregado em híbridos convencionais, reduzindo custos de produção e facilitando sua adoção em veículos de grande volume.
A Chevrolet não será a primeira fabricante a adotar esse tipo de tecnologia no Brasil. A Stellantis já utiliza soluções semelhantes em parte de sua linha nacional. Fiat e Peugeot empregam um sistema híbrido leve de 12 volts associado ao motor T200 Hybrid, enquanto Jeep oferece uma arquitetura de 48 volts em versões eletrificadas de Compass, Commander e Renegade.
Com Tracker e Montana despontando como favoritos para inaugurar a nova fase da marca, a expectativa é que a Chevrolet dê início à produção nacional de seus primeiros híbridos nos próximos meses, ampliando sua presença em um segmento que ganha cada vez mais importância no mercado brasileiro.


