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Morre Tato, campeão brasileiro pelo Fluminense: ex-jogador tratava um câncer de esôfago; Entenda a doença!

Falecimento do ex-atleta reacende o alerta para um tumor agressivo do trato digestivo, que costuma apresentar sintomas tardios e impacto direto na sobrevida

Por Michel Telles
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Morre Tato, campeão brasileiro pelo Fluminense: ex-jogador tratava um câncer de esôfago; Entenda a doença!

Foto: Redes Sociais

Morreu nesta terça-feira, 27 de janeiro, aos 64 anos, Tato, ex-jogador que marcou época no Fluminense e integrou uma das gerações mais vitoriosas da história do clube. O ex-atleta estava em tratamento contra um câncer de esôfago.

Ídolo tricolor, Tato construiu uma trajetória sólida no futebol brasileiro, com destaque para o título do Campeonato Brasileiro de 1984 e o tricampeonato carioca entre 1983 e 1985. Reconhecido pelo estilo ofensivo e pelo drible em progressão, entrou para a memória afetiva dos torcedores como parte de um elenco que marcou uma era no futebol nacional.

A morte do ex-jogador também reacende a atenção para a doença, um tumor menos frequente que outros do trato digestivo, mas frequentemente diagnosticado em estágios avançados, o que impacta diretamente as chances de tratamento e sobrevida.

Entenda a doença

O câncer de esôfago se desenvolve quando as células que revestem internamente o esôfago — canal que conecta a garganta ao estômago — sofrem alterações e começam a se multiplicar de forma desordenada. À medida que progride, o tumor pode se expandir para camadas mais profundas do órgão e até comprometer estruturas vizinhas.

“Embora seja menos falado, ele representa um desafio importante na oncologia. Avanços em terapias e estratégias de diagnóstico têm contribuído para oferecer alternativas mais eficazes de tratamento, mas a conscientização segue sendo essencial”, afirma Mauro Donadio, oncologista da Oncoclínicas.

Segundo o especialista, os dois tipos mais frequentes da doença são o adenocarcinoma e o carcinoma de células escamosas. Embora menos comuns, também podem surgir tumores como linfomas, melanomas e sarcomas na região esofágica, mas esses casos são considerados bastante raros. No cenário global, o câncer de esôfago ocupa a oitava posição entre os mais diagnosticados.

Tipos de câncer de esôfago

  •       Carcinoma de células escamosas -- a camada interna do esôfago (mucosa) é revestida por células escamosas. O câncer originado nessas células é chamado de carcinoma de células escamosas. Ele pode ocorrer em qualquer lugar ao longo do esôfago, mas é mais comum na região do pescoço (esôfago cervical) e nos dois terços superiores da cavidade torácica (esôfago torácico superior e médio);
  •       Adenocarcinoma -- Os cânceres que começam nas células glandulares (células que produzem muco) são chamados de adenocarcinomas. São frequentemente encontrados no terço inferior do esôfago (esôfago torácico inferior) e transição esôfago-gástrica.

Sintomas

A neoplasia pode evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, o que pode atrasar o diagnóstico. Às vezes os primeiros sinais que se manifestam podem ser inespecíficos e subvalorizados e isso pode explicar o achado de uma doença já está mais avançada ao diagnóstico.

“Mas em muitos casos os pacientes relatam sensação de alimento parado na garganta ou no peito, dificuldade para engolir, dor ou queimação no tórax e uma perda de peso significativa e sem explicação”, afirma o especialista.

Outros sintomas possíveis do câncer do esôfago podem incluir:

  •       Rouquidão;
  •       Tosse persistente;
  •       Vômitos;
  •       Hemorragia digestiva.

“Persistindo qualquer desconforto, é essencial buscar avaliação médica para investigar a causa. Embora esses sintomas não signifiquem necessariamente um câncer de esôfago, apenas um diagnóstico preciso pode indicar o melhor caminho a seguir e garantir que o paciente receba o tratamento mais apropriado”, orienta.

Prevenção

Como forma de prevenção, é fundamental evitar alguns hábitos que podem aumentar os riscos de desenvolvimento da doença. São eles:

  •       Ingerir bebidas quentes demais (em temperatura igual ou superior 65ºC)
  •       Tabagismo
  •       Inalar poeiras de construção civil, vapores de combustíveis, entre outros
  •       Consumir bebidas alcóolicas
  •       Exposição a ambientes com radiação ionizantes (raio X e Gama)
  •       Obesidade

Um levantamento divulgado no periódico Annals of Internal Medicine apontou que o consumo frequente de bebidas muito quentes pode estar associado ao aumento do risco de câncer de esôfago — que se eleva ainda mais quando há o hábito de fumar ou consumir álcool.

"Felizmente, o câncer de esôfago pode ser prevenido, mas é importante que a população em geral deixe alguns hábitos de lado. Manter uma dieta equilibrada, não fumar, praticar atividades físicas regularmente e não ingerir bebidas alcóolicas ou quentes demais, como chás, chimarrão, entre outros, são alternativas para contornar o problema. Vale lembrar ainda que a vacinação contra o HPV também pode evitar que o carcinoma de células escamosas do esôfago seja causado pelo vírus. Além do câncer de esôfago, ela também pode auxiliar na prevenção do câncer do colo do útero, ânus, boca, etc", alerta.

“O lado positivo é que essa é uma doença que pode, em muitos casos, ser evitada com mudanças simples no estilo de vida”, destaca. “Evitar o tabagismo, moderar o consumo de álcool, manter uma alimentação balanceada, praticar exercícios físicos e não ingerir líquidos excessivamente quentes são atitudes que reduzem significativamente o risco. Além disso, a vacinação contra o HPV é uma aliada importante, não só na prevenção do câncer de esôfago associado ao vírus, mas também de outros tipos, como o de colo do útero, ânus e cavidade oral”.

Diagnóstico

Após a queixa do paciente, o médico irá solicitar uma endoscopia digestiva alta (EDA) com biópsia e em seguida, após a confirmação da doença, exames de imagem para analisar o estadiamento da neoplasia. Os mais comuns são:

  •       Endoscopia -- exame realizado com o paciente sedado em que um endoscópio com câmera avalia a parte interna do esôfago. Durante a endoscopia, são retirados fragmentos de lesões identificadas;
  •       Ultrassom endoscópico -- uma sonda que emite ondas sonoras fica no final de um endoscópio. Este teste é feito ao mesmo tempo que a endoscopia digestiva alta e é útil para determinar o tamanho de um câncer de esôfago e o quanto ele cresceu em áreas próximas. Também ajuda a mostrar se os gânglios linfáticos foram afetados pelo câncer;
  •       Broncoscopia -- pode ser feita para cânceres que estão localizados na parte superior do esôfago. O intuito é ver se ele está invadindo a traqueia ou brônquios (tubos que conduzem o ar da traqueia aos pulmões);
  •       Toracoscopia e laparoscopia -- são exames que permitem que o médico veja os gânglios linfáticos e outros órgãos próximos ao esôfago dentro do tórax (por toracoscopia) ou no abdômen (por laparoscopia) por meio de uma câmera. Também podem ser usados para obter amostras de biópsia. São exames realizados com o paciente anestesiado; e
  •       Tomografia computadorizada (TC) -- a TC de tórax, abdomen e pelve desempenha um papel crucial na detecção de linfonodos metastáticos, de metástases hematogênicas e também na avaliação do grau de acometimento local do tumor.
  •       PET-CT - o exame mostra se existem alterações no metabolismo celular, produzindo imagens com tecnologia digital e recursos de raio-x. Além disso, ele analisa em qual estágio o tumor está, para que seja possível planejar o tratamento. O procedimento consiste na aplicação de uma substância que emite baixas doses de radiação à base de glicose por via venosa. Com isso, o especialista poderá investigar o consumo de glicose no organismo e eventuais problemas.

Tratamento

Após a confirmação do diagnóstico, o plano de tratamento é definido de forma individualizada, levando em conta o estágio da doença e as condições clínicas do paciente. As opções podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou uma combinação entre elas.

“Em alguns casos, especialmente quando o tumor está mais avançado ou se espalhou para outras regiões do corpo, recorremos à quimioterapia sistêmica e, em determinadas situações, à imunoterapia. Já em casos localizados, é possível iniciar com quimioterapia e radioterapia para reduzir o tumor antes da cirurgia. Tudo é pensado para oferecer as melhores chances de controle da doença e qualidade de vida para o paciente”, finaliza Mauro Donadio.

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