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MPF denuncia advogada que acusou procurador federal de assédio sexual, afirma coluna

O procurador Marcos José Gomes teve um relacionamento casual com ex-comissionada do MPF, que está sendo acusada de perseguição

Por Da Redação
Às

MPF denuncia advogada que acusou procurador federal de assédio sexual, afirma coluna

Foto: Reprodução/MPF

A advogada Meire Pereira, que foi comissionada no Ministério Público Federal por 13 anos, foi denunciada pelo próprio MPF, na última terça-feira (9), por supostamente perseguir o procurador regional federal Marcos José Gomes Corrêa. Em 2022, ela apresentou uma denúncia de assédio sexual contra o procurador na Corregedoria do órgão. A ação foi ajuizada na Justiça Federal de São Paulo por Marcos José em fevereiro de 2023. 

Conforme a coluna Tácio Lorran, do Jornal Metrópoles, o procurador regional da República da 3° Região alega que Meire estava o perseguindo após uma série de tentativas de contato para reaver seu emprego. Ela foi exonerada do gabinete de Marcos José Gomes Corrêa em novembro de 2022. Documentos do processo, que está sob sigilo, mostram diversas trocas de mensagens da advogada com o procurador entre 2021 e 2022. 

A conversa entre eles revela que houve um caso amoroso entre os dois, uma vez que, em diversas ocasiões, eles discutiam a relação e citavam a ocorrência de "beijos". No início da relação com Marcos, Meire Pereira estava lotada no gabinete da então procuradora-chefe do MPF de São Paulo. Eles se conheceram após a advogada ter sido cedida para trabalhar o procurador por 30 dias de 2020. 

Ainda conforme com a coluna, a advogada relata na representação na Corregedoria, que foi arquivada, que desenvolveu uma "relação de amizade" com Marcos José Gomes Corrêa desde que se conheceram. Meire Pereira conta que os dois chegaram a combinar de se encontrar durante a pandemia, mas que acabaram se conhecendo pessoalmente só em 2022. A partir de então, segundo o documento obtido pela coluna, eles "ficaram algumas vezes".

Segundo a advogada na representação, em julho de 2022, Marcos José aceitou que ela fosse trabalhar em seu gabinete porque não havia se apaixonado por ela. Mesmo diante da relação que havia existido, e alegando não ter se "apaixonado" - ou seja, indicando o fim do caso amoroso -, ele colocou a advogada como sua subordinada direta. Ela começou a trabalhar no gabinete dele em setembro de 2022. 

A mensagens obtidas pela coluna revelam uma relação conflitante, em que o pessoal era constantemente misturado com o profissional. Meire relatava ao procurador estar apaixonada e cobrava reciprocidade. O procurador dizia que a advogada queria controlá-lo, que ela era ansiosa e insegura. Diante dessa situação, por diversas vezes, Meire Pereira disse que não queria mais trabalhar no MPF, mas Marcos a mantinha no gabinete. 

 A advogada relatou na representação na Corregedoria que, em novembro de 2022, descobriu por servidores do gabinete que estaria tendo uma relação com outra assessora. Ele contou que, no dia, houve uma discussão entre os dois e ficou acertado que ela seria exonerada. Diante do cenário, ela chegou a relatar à então procuradora-chefe que teria sido vítima de manipulação e assédio sexual, mas não representou oficialmente contra Marcos na época. 

Ela alegou na representação que teve medo de retaliação e justificou que gostaria de continuar no MPF por depender do plano de saúde para o tratamento de sua mãe. A novela da exoneração se estendeu até novembro de 2022, quando ela foi oficialmente exonerada. Após isso, Meire tentou contra a própria vida em internação psiquiátrica domiciliar. Foi nesse período, segundo Marcos José, que ela começou a persegui-lo. 

O procurador alega na ação, que foi iniciada em fevereiro de 2023 e está sendo conduzida por seus pares no MPF de São Paulo, que a advogada enviou diversos e-mails e mensagens para ele. A maioria, conforme consta no processo, consiste em pedidos de desculpas, pedidos para voltar a trabalhar no MPF e acusações de que ele teria prejudicado a carreira dela. 

A procuradora regional da República, Raquel Cristina Rezende Silvestre, alegou na denúncia da última terça-feira (9), que Meire tinha "obsessão" pelo procurador diante da "frustração" da relação amorosa não ter dado certo. Raquel também defendeu a competência da Justiça Federal e do Ministério Público Federal no caso porque, segundo ela, a advogada teria usado a proximidade com o procurador do MPF para "persegui-lo", e apontou na justificativa que Meire "utilizou-se da Corregedoria do Ministério Público Federal para representar a vítima". 

Procurado pela coluna, Marcos afirmou que o caso tramita na primeira instância do MPF, o que "afastaria sua interferência". Sobre as mensagens anexadas dos autos, o procurador sustenta que as interpretações de que teria existido um relacionamento "reproduzem apenas a versão da acusada e não foram comprovadas", mesmo que existiam mensagens falando sobre encontros e beijos. 

Em relação à atuação de Meire Pereira em seu gabinete, afirma que ela foi transferida após relatar problemas em seu local de trabalho anterior e por solicitação da procuradora-chefe, não havendo relação pessoal entre os dois. Segundo ele, Meire teria solicitado deixar o gabinete, posteriormente tentado retornar diversas vezes e, diante da negativa, passado a promover perseguições, chantagens e violência psicológica.

Afirma ainda que não teve participação em sua exoneração, atribuída ao descumprimento de determinações da chefia, e sustenta que as acusações formuladas contra ele não prosperaram na Corregedoria nem na Justiça.
 

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