Nordeste foi alvo de 27 milhões de publicações ofensivas após o 1º turno
Região deu a Lula 63,7% e 30,8% a Flávio Bolsonaro

Foto: Ricardo Stuckert/PR
O resultado do primeiro turno da eleição presidencial rendeu, nas primeiras 72 horas, 27 milhões de postagens hostis ao Nordeste ou a nordestinos, segundo o levantamento “O Nordeste no Banco dos Réus”, da Ativaweb DataLab. Reduto petista, a região deu ao presidente Lula (PT) 63,7% dos votos, antes 30,8% para o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio da Alvorada.
O número registrado pelo estudo equivale a 82,2% dos 32,8 milhões de menções, links e compartilhamentos monitorados no Facebook, Instagram, TikTok, X, Kwai e YouTube que relacionaram a região ao resultado eleitoral. O documento ainda classificou 5,8 milhões de manifestações, ou 17,8% do total, como neutras ou favoráveis à região. A média chegou a 456 mil menções por hora, isto é, mais de 7,6 mil por minuto ao longo dos três dias analisados.
A análise por amostragem apontou que, além de palavrões, as agressões continham estereótipos sobre pobreza, dependência política e capacidade intelectual dos nordestinos, com usuários de várias partes do país e forte presença do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Expressões de vergonha e autodepreciação representaram 26,9% das ocorrências. O estigma da pobreza e da dependência apareceu em 22,1%, e ofensas relacionadas a inferioridade intelectual corresponderam a 18,3% dos casos.
Outros 12,5% dos conteúdos associaram o Nordeste a termos de desumanização, como “doença”, “lixo” ou “câncer do Brasil”. O mesmo percentual defendeu segregação territorial, com propostas de divisão do país, separação regional ou construção de muros.
O levantamento também registrou postagens de nordestinos que reproduziam o discurso pejorativo, incluindo frases como “tenho vergonha de ser nordestina”. A legislação brasileira prevê punição para quem incita discriminação ou preconceito de procedência nacional, com agravamento quando o crime acontece nas redes sociais.
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