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Nos últimos capítulos, “Três Graças” coloca o autismo no centro da novela e emociona famílias brasileiras!

Psiquiatra, Dra. Thaíssa Pandolfi, afirma que muitas crianças ainda enfrentam sofrimento dentro das escolas por falta de preparo para acolher alunos neurodivergentes

Por Michel Telles
Às

Nos últimos capítulos, “Três Graças” coloca o autismo no centro da novela e emociona famílias brasileiras!

Foto: Tv Globo

Em reta final, a novela Três Graças transformou uma das histórias mais comentadas da trama em um retrato delicado da realidade enfrentada por milhares de famílias brasileiras. Ao abordar o autismo dentro do ambiente escolar, a produção provocou identificação imediata de pais, mães e adultos diagnosticados tardiamente que viveram experiências semelhantes na infância.

Para a psiquiatra Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência e superdotação, o maior desafio continua sendo a forma como crianças autistas ainda são interpretadas dentro das escolas. “Muitas vezes, comportamentos ligados ao autismo são confundidos com indisciplina, birra ou dificuldade de convivência. A criança passa a ser vista como problema quando, na verdade, está tentando lidar com um ambiente que não consegue acolher as suas necessidades”, afirma.

Segundo a médica, a ausência de suporte adequado acaba criando marcas emocionais profundas ainda nos primeiros anos de vida. “Quando uma criança cresce ouvindo que é exagerada, estranha ou complicada, ela aprende cedo a esconder traços da própria personalidade para conseguir se encaixar. Isso pode gerar ansiedade, exaustão emocional e uma sensação constante de inadequação”, explica.

Thaíssa também destaca que muitas famílias só começam a buscar informação depois que percebem sinais persistentes de sofrimento emocional, dificuldade de socialização ou crises frequentes dentro do ambiente escolar. “Em muitos casos, a criança passa anos sendo tratada apenas como tímida, difícil ou sensível demais. Quanto mais tardio é o acolhimento, maior costuma ser o impacto emocional”, diz.

Para a especialista, quando a televisão retrata esse tipo de experiência de forma sensível, ajuda muitas famílias a reconhecerem comportamentos que antes eram ignorados. “Uma novela consegue levar informação para pessoas que talvez nunca procurariam conteúdo técnico sobre autismo. Muitas famílias começam a observar sinais justamente depois de se identificarem com histórias parecidas na ficção”, afirma.

Nos últimos capítulos, Três Graças ampliou a conversa nas redes sociais sobre inclusão escolar, preparo de professores e acesso a acompanhamento especializado, temas que seguem presentes na rotina de milhares de famílias brasileiras.

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