Nova lei e aporte de R$ 5 milhões impulsionam chegada do maior evento de chocolate do mundo ao Brasil!
País sedia o Salon du Chocolat, em dezembro, em um momento em que a produção nacional busca romper barreiras

Foto: Alberto Monteiro
Ocupando a 6ª posição no ranking mundial de produtores de cacau, o Brasil vive uma grande transformação no setor do cacau e chocolate com a sanção da Lei nº 15.404/2026, que eleva para 35% o teor mínimo de sólidos de fruto para que um produto seja chamado de chocolate. O que reforça o compromisso com a qualidade, a transparência e a rastreabilidade. Para produtores, indústrias e consumidores, a lei representa mais respeito ao trabalho no campo, mais valor agregado ao produto brasileiro e mais segurança na hora da escolha.
É neste cenário, que após uma emblemática 30ª edição em Paris e passagem por diversas capitais, como Tóquio, Dubai e Nova York, o Salon du Chocolat confirma sua próxima parada no Brasil. O país será o primeiro na América Latina a receber o evento em formato completo e a Bahia – estado que se destaca na produção e exportação de cacau – foi escolhida para sediar essa edição que será realizada entre os dias 10 e 13 de dezembro, no Centro de Convenções Salvador.
Considerado o maior evento dedicado ao cacau e chocolate do mundo, o Salon coloca o cacau fino, amazônico e cabruca da Bahia no centro das negociações globais, e vai reunir centenas de produtores bean to bar e tree to bar, e marcas de todas as regiões do Brasil e países do continente americano e de outros continentes, como África, Ásia e Europa; autoridades e delegações de estado; empresários; fabricantes e especialistas do ramo; chefs e entusiastas da confeitaria e público geral que estarão envolvidos numa extensa programação que funde conhecimento técnico-científico, rodadas de negócios e entretenimento. Com compradores, chocolatiers e indústrias presentes, o produtor sai da lógica de commodity e passa a vender origem, história e qualidade. Isso se traduz em preços melhores e contratos de longo prazo.
Porque é importante para o Brasil receber um evento desta magnitude
Receber o maior evento de chocolate do mundo no Brasil é importante por grandes motivos: economia, imagem e futuro do setor.
1. Economia: gera renda e valoriza quem produz
2. Valorização do cacau brasileiro - O Brasil é um dos 7 maiores produtores do mundo. O evento coloca o cacau fino, baiano e amazônico no radar de compradores globais, tirando a gente da lógica de só exportar commodity barata.
3. Turismo e consumo - Evento desse porte movimenta hotelaria, restaurantes e transportes.
4. Mercado interno - Expõe o consumidor brasileiro a chocolate 70%, bean-to-bar, origem única. Educa e cria novo público que paga mais e melhor.
5. Imagem e Protagonismo: posiciona o Brasil como origem, não só produtor. Deixa de ser "país que vende matéria-prima" e passa a ser "país que cria tendência, técnica e marca".
6. Sustentabilidade - O mundo tá de olho em cacau que preserva floresta. O Brasil, principalmente Amazônia e Mata Atlântica, tem a melhor história pra contar.
7. Gastronomia - Chef, chocolatero e academia. Mostra que o Brasil domina a técnica, a regionalidade e os saberes tradicionais.
8. Intercâmbio e Futuro: inovação e conexão. Profissionais do mundo inteiro vêm, trocam técnica, criam produto novo com ingrediente brasileiro. Isso volta pro mercado o ano inteiro.
09. Negócios - Feira, rodada de negócios que geram contrato. Pequenos produtores encontram grandes marcas.
10. Orgulho e Cultura - Chocolate se torna patrimônio. Gera emprego para o jovem, mulher e cooperativas. Tira o cacau só da fazenda e coloca no centro da cultura.
Entenda a Lei do Cacau
No campo legislativo, foram endurecidas as regras pra manter a qualidade do chocolate que chega nas prateleiras dos supermercados. Sancionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, a Lei 15.404/2026 estabelece critérios para a composição e embalagem dos derivados do cacau. Para ser considerado chocolate, o produto deve conter, ao menos, 35% de sólidos totais de cacau, e o tipo ao leite 25%, dispensando termos como “amargo” e “meio amargo” e priorizando a concentração do fruto em destaque. A medida entra em vigor em maio de 2027.
Para Marco Lessa, CEO da MVU Empreendimentos, empresa responsável pela edição nacional do Salon, a lei é uma vitória para o setor. “Até 2009 nenhuma embalagem de chocolate no Brasil tinha o nome, percentual ou desenho do cacau, deixando a matéria-prima como coadjuvante. Hoje, graças ao movimento Pró-Cacau e ao engajamento de produtores e instituições, conseguimos ajudar a mudar profundamente esse cenário”
Além de oferecer uma melhor qualidade nutricional, a transparência na rotulagem deve aumentar a reputação do Brasil no mercado externo, com uma indústria mais competitiva com chocolate de maior valor agregado, valorização dos produtores rurais e reposicionamento do país no segmento Bean-to-Bar “da amêndoa à barra".

