Nunes Marques e André Mendonça defendem resultado eleitoral após carta de Flávio Bolsonaro
Ministros do STF, indicados por Jair Bolsonaro, demonstraram distanciamento da contestação apresentada pelo senador.

Foto: Divulgação
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Nunes Marques se distanciaram da contestação eleitoral apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo reportagem do jornal O Globo, a carta divulgada pelo senador provocou desconforto entre integrantes da Corte, inclusive entre magistrados próximos ao bolsonarismo
Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), publicou uma nota nesta quarta-feira (28) na qual reafirmou a legitimidade do resultado das urnas e defendeu o respeito à vontade dos eleitores. Embora não tenha citado Flávio diretamente, o ministro destacou que a Justiça Eleitoral cumpriu seu papel na condução do pleito.
Na manifestação, Nunes Marques também reconheceu que houve instabilidade na reta final da votação, mas afirmou que as medidas adotadas e o trabalho dos técnicos do tribunal permitiram concluir a apuração com segurança. O ministro acrescentou que eventuais questionamentos serão analisados pelos canais institucionais, desde que apresentados dentro do devido processo legal.
A reação chama atenção porque Nunes Marques e André Mendonça foram indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Nunes Marques chegou à Corte em 2020, enquanto Mendonça foi indicado em 2021, após comandar o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União (AGU).
De acordo com O Globo, ministros do STF criticaram reservadamente a iniciativa de Flávio de se declarar vencedor da eleição, apesar da derrota nas urnas. Na avaliação desses magistrados, a carta questiona a legitimidade do processo eleitoral sem apresentar provas de irregularidades.
Na primeira versão do documento, Flávio se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, alterou o texto e passou a se apresentar como “líder do Brasil”, mas manteve os questionamentos ao resultado eleitoral.
A carta foi divulgada na quarta-feira (28), após o segundo turno. Osenador viajou para os Estados Unidos depois de ser derrotado por mais de quatro milhões de votos por Lula. A viagem ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes para que Flávio entregasse os passaportes.


