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Nunes Marques mudou voto em julgamento relacionado ao Master após contatos com Vorcaro, diz revista

Mudança aconteceu em 2024, quando Segunda Turma do STF julgava caso de destilaria

Por Da Redação
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Nunes Marques mudou voto em julgamento relacionado ao Master após contatos com Vorcaro, diz revista

Foto: Luiz Roberto/TSE | Reprodução/Redes sociais

Após contatos com Daniel Vorcaro, fundador do Master, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), mudou de posição e deu um voto que desempatou um julgamento de interesse do banco. É o que mostra uma reportagem da revista piauí baseada em mensagens de WhatsApp, registros telefônicos e documentos financeiros.

A mudança de voto de Nunes Marques aconteceu em 1º de outubro de 2024, quando a Segunda Turma do STF julgava o caso da Destilaria Alcídia, uma das usinas que cobravam uma indenização milionária da União. Embora o Master não tivesse créditos associados a esse processo, para ele era fundamental que a Alcídia ganhasse, já que a decisão impactaria os outros processos que corriam no tribunal.

Antes, o ministro se considerava impedido para julgar a destilaria, já que em 2018, quando era vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), tinha atuado no mesmo caso. Naquele dia, porém, voltou atrás e declarou que o impedimento tinha sido registrado por "equívoco da assessoria” de seu gabinete, e citou um precedente de 2021 da Segunda Turma que, a seu ver, permitia que ele participasse do julgamento sem haver conflito de interesses.

De acordo com a reportagem, havia uma rede de relações envolvendo o ministro, seu filho Kevin Marques e o desembargador Newton Ramos, do TRF1, onde também tramitavam processos considerados sensíveis para o banco. Era Newton o responsável por organizar os encontros entre Daniel Vorcaro e Nunes Marques.

Naquele mesmo 1º de outubro, o ex-banqueiro cobrou do diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, atenção a um contrato com Kevin. Meses depois, o empresário novamente citou o filho do ministro ao discutir pagamentos mensais de R$ 500 mil.

Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a empresa Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master entre agosto de 2024 e julho de 2025 e transferiu pelo menos R$ 282 mil ao filho de Nunes Marques.

Kevin nega ter prestado serviços ao Master ou recebido pagamentos diretamente de Vorcaro. Ele alega que os recursos transferidos pela Consult remuneraram serviços jurídicos especializados.

Em nota enviada à piauí, Nunes Marques disse que “nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca pediu nada ao banqueiro nem recebeu nenhum pedido dele”. Afirmou também que “nunca autorizou ninguém a falar em nome dele” e que “não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros”. O ministro também nega que tenha havido conflito de interesses no julgamento da Destilaria Alcídia.

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