Omar Artan faz história na arbitragem após ser impedido de atuar na Copa do Mundo
Somali será o primeiro árbitro não europeu a comandar uma final da Supercopa da Uefa.

Foto: Reprodução / Redes Sociais
Omar Artan está prestes a transformar uma das maiores frustrações da carreira em um momento histórico. O árbitro da Somália, que teve a sua entrada nos Estados Unidos negada e acabou fora da Copa do Mundo de 2026, foi escolhido para comandar a final da Supercopa da Uefa entre PSG e Aston Villa, nesta quarta-feira (12), em Salzburgo, na Áustria. Aos 34 anos, ele será o primeiro árbitro não europeu a apitar uma decisão da competição.
A escolha ganhou um significado ainda maior diante do que aconteceu antes do Mundial. Artan estava entre os 52 árbitros selecionados para a Copa e seria o primeiro somali da história a trabalhar no torneio. No entanto, teve a entrada nos Estados Unidos recusada e precisou ficar fora da competição. Segundo a imigração norte-americana, o profissional foi considerado inadmissível por questões relacionadas à verificação de antecedentes. Na época, Artan afirmou que não recebeu uma justificativa das autoridades, enquanto a Fifa declarou que não participava dos processos de imigração dos países.
Depois da decepção, veio a notícia que mudou novamente o rumo da história. Ainda em junho, pouco depois do retorno do Mundial, Artan recebeu o convite para comandar a Supercopa da Uefa. A indicação também representou um reconhecimento à trajetória do árbitro, que integra o quadro internacional da Fifa desde 2018 e foi eleito o melhor árbitro da África em 2025.
"Quando recebemos essa ligação, foi, para mim e minha família, um momento realmente muito, muito feliz", contou Artan.
O árbitro também falou pela primeira vez sobre o período em que ficou afastado da Copa do Mundo e reconheceu que precisou lidar com uma situação difícil.
"Foi um período muito difícil. Muitas pessoas têm compaixão por mim, porque quando alguém trabalha muitos anos e deveria fazer algo, e de repente não consegue, é muito desafiador. Agradeço muito o apoio que recebi em todo o mundo, sou muito grato", afirmou em entrevista ao site oficial da Uefa.
Apesar do episódio, Artan não deixou que a frustração interrompesse sua trajetória. Em maio, ele já havia sido responsável por outra decisão importante, comandou a final da Liga dos Campeões da África.
Agora, terá pela frente mais um dos maiores palcos de sua carreira. PSG e Aston Villa se enfrentam nesta quarta, às 16h (de Brasília), na Red Bull Arena, em Salzburgo, na Áustria.
Para Artan, a partida representa muito mais do que uma final.
"Se eu consegui, qualquer um consegue. Você pode fazer o que quiser. Nunca pare de sonhar. Se você quer ser árbitro, é a melhor coisa que você pode fazer. Então, vá atrás disso e faça acontecer, e não pare, independentemente do que aconteça e independentemente das pessoas que tentem impedi-lo de fazer seu trabalho", disse o somali.


