Investigada por fraude no IPTU é presa em Salvador
Mulher de 60 anos foi presa após desembarcar de um voo vindo da Espanha

Foto: Pedro Moraes / Ascom-PCBA
Uma mulher de 60 anos investigada por envolvimento em um esquema de fraude no IPTU foi presa no sábado (19), no Aeroporto Internacional de Salvador, quando retornava de um voo vindo da Espanha. Ela é a quinta pessoa presa no âmbito da Operação Valor Venal.
Segundo a Polícia Civil, a investigada é uma das duas consultoras apontadas como responsáveis pela articulação do esquema. Ela teria atuado nas negociações com proprietários de imóveis e na formalização de contratos para revisão do IPTU.
A prisão ocorreu dois dias após a deflagração da operação, na quinta-feira (17). Foram presos dois despachantes, uma consultora e uma ex-servidora terceirizada. Quatro servidoras da Secretaria Municipal da Fazenda de Salvador (Sefaz) também foram afastadas das funções por determinação judicial.
Esquema
De acordo com as investigações, os despachantes buscavam proprietários de imóveis e terrenos de alto padrão interessados em reduzir o valor do IPTU. Os clientes eram então encaminhados às consultoras, que participavam das negociações e da formalização dos contratos.
O grupo é investigado por alterar informações de imóveis no sistema da Sefaz, como o ano de construção e outros dados usados para calcular o valor venal. As mudanças reduziam o valor registrado das propriedades e, consequentemente, o imposto cobrado.
Entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, cerca de 700 imóveis teriam sido beneficiados, com reduções de até 90% no valor venal. Segundo a Polícia Civil, as alterações provocaram uma perda de aproximadamente R$ 20 milhões na arrecadação municipal.
A investigação também aponta ocultação patrimonial superior a R$ 1,2 bilhão, calculada a partir da diferença entre os valores reais dos imóveis e aqueles registrados no sistema após as supostas fraudes.
A Operação Valor Venal é conduzida pelo Núcleo Especializado no Combate aos Crimes Econômicos e Contra a Ordem Tributária (Neccot), ligado ao Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco-LD).


