PÃO E CIRCO

Alfredo Venet Lima

Às

Atualizado
PÃO E CIRCO

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“Dê ao povo pão e circo, que ele nunca se revoltará!”
   Panem et circenses
  (Juvenal c. 55–128 d.C.)

Mais um Carnaval! Latinhas nas mãos, sorrisos alienados e alegria fugaz.

O que era manifestação popular, enxurrada de alegria, amores improváveis e abraços afetivos, tornou-se grande arma do utilitarismo, objetivando as costuras das mazelas, sob o som de tosses secas e nervosas.

Ao contrário do calor, do aspecto fétido e viscoso do suor,  do consumo excessivo da cerveja e dos  cânticos dos mais diversos matizes, hoje, todos se  acomodam em gabinetes refrigerados, onde tramam,  conspiram planos astutos...

Tudo isso  sob o som de um silêncio quase sepulcral... Surgem as novas e próximas manobras,  com o fito de jogar o lixo sob os tapetes, dando continuidade à peregrinação  das articulações eleitoreiras e dos negócios de transparência duvidosa.

Enquanto isso, os incautos seguem com as suas latinhas, contendo cervejas quentes e tirando os pés do chão, na crença inútil de que estão a viver o ápice de suas falsas felicidades e suposta união com os desiguais.

Ledo engano... Continuam comendo o mesmo pão dormido, sob o agasalho de um circo mambembe.
Ali, sequer cogitam o que os esperam, na Quarta-Feira de Cinzas. A Chegada  dos boletos e faturas de cartões de crédito, enquanto quantias trilionárias circulam, impunemente, no mundo virtual.

Este país, chamado Brasil, continuará no mundo do pão e do circo; o povo inebriado pelo carnaval e futebol,  parece esquecer o que resta de suas compreensões do contexto social, seguindo a triste sina de terem votado, sem saberem nem, pelo menos, possuírem a menor ideia do candidato escolhido.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:redacao@fbcomunicacao.com.br
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário