“Dê ao povo pão e circo, que ele nunca se revoltará!”
Panem et circenses
(Juvenal c. 55–128 d.C.)
Mais um Carnaval! Latinhas nas mãos, sorrisos alienados e alegria fugaz.
O que era manifestação popular, enxurrada de alegria, amores improváveis e abraços afetivos, tornou-se grande arma do utilitarismo, objetivando as costuras das mazelas, sob o som de tosses secas e nervosas.
Ao contrário do calor, do aspecto fétido e viscoso do suor, do consumo excessivo da cerveja e dos cânticos dos mais diversos matizes, hoje, todos se acomodam em gabinetes refrigerados, onde tramam, conspiram planos astutos...
Tudo isso sob o som de um silêncio quase sepulcral... Surgem as novas e próximas manobras, com o fito de jogar o lixo sob os tapetes, dando continuidade à peregrinação das articulações eleitoreiras e dos negócios de transparência duvidosa.
Enquanto isso, os incautos seguem com as suas latinhas, contendo cervejas quentes e tirando os pés do chão, na crença inútil de que estão a viver o ápice de suas falsas felicidades e suposta união com os desiguais.
Ledo engano... Continuam comendo o mesmo pão dormido, sob o agasalho de um circo mambembe.
Ali, sequer cogitam o que os esperam, na Quarta-Feira de Cinzas. A Chegada dos boletos e faturas de cartões de crédito, enquanto quantias trilionárias circulam, impunemente, no mundo virtual.
Este país, chamado Brasil, continuará no mundo do pão e do circo; o povo inebriado pelo carnaval e futebol, parece esquecer o que resta de suas compreensões do contexto social, seguindo a triste sina de terem votado, sem saberem nem, pelo menos, possuírem a menor ideia do candidato escolhido.



