Pastor preso por abuso sexual afirmou que vítima teria câncer e morreria caso não fizesse o que ele queria
Homem afirmava que vítimas teriam doenças caso não aceitassem os abusos

Foto: Reprodução
A Justiça determinou a manutenção da prisão do pastor Alan Pereira Vicente, de 38 anos, nesta ultima sexta-feira (9). O religioso foi detido na quinta (8) por abusar sexualmente de fiéis da igreja que ele liderava, no Ceará, local onde ocorreram os casos.
Conforme relato das vítimas, ele usava falsas curas para cometer os crimes. Uma das mulheres que sofreu os abusos contou que o pastor disse que ela teria câncer e morreria caso não fizesse o que ele mandasse.
A vítima mencionada é uma dona de casa de 20 anos. Em uma ocasião, o pastor induziu que ela o deixasse tocar em sua parte íntima. Ela relutou, e ele afirmou que ela teria a doença caso não aceitasse. "Mandou eu me deitar e relaxar. Ele disse que ia tentar por cima da roupa sem colocar a mão. Ele passou a mão e, pouco depois, mostrou um pedaço de agulha", contou.
O homem simulava que havia uma agulha dentro da vítima, e que para removê-la, precisaria introduzir a mão na vítima.
"Ele colocou o punho e os cinco dedos dentro de mim, ele ficava remexendo dentro. Ele disse que não estava conseguindo. Ele levou um recipiente cheio de azeite , passou por toda a mão", contou a vítima.
Este caso aconteceu em 2025. A jovem havia se queixado com o pastor sobre uma inflamação na cirurgia do parto. No dia seguinte, ele passou a enviar mensagens e fazer ligações para ela, afirmando que precisaria ir em sua casa para "resolver coisas espirituais".
"Ele disse que eu tinha uma bola de carne dentro de mim. Eu perguntei como ele ia tirar. Ele disse que teria que colocar a mão dentro de mim. Eu disse que não achava que aquilo era certo", relatou.
Os abusos aconteceram por três dias seguidos. No quarto dia, a vítima se recusou a continuar e posteriormente deixou de frequentar a igreja.
Em outra ocasião, o pastor teria afirmado a uma vítima que havia '"identificado" um tumor em seu útero e que "precisaria removê-lo". Ele também disse a ela que já havia testemunhado um caso igual ao dela, em que uma pessoa teria morrido por não realizar o procedimento. Com medo, a vítima aceitou participar de encontros numa sala da igreja.
Em outro momento, a mesma jovem encontrou Alan por acaso no centro de Fortaleza, onde ele trabalhava. Ele ofereceu carona de moto para ela, sob a justificativa de que estava preocupado com a segurança dela e desviou o caminho, levando-a para um motel.
A vítima recusou, mas foi abusada por Alan e pressionada a não denunciar. Posteriormente ele pediu a ela que orasse e que o perdoasse.
O pastor foi expulso da igreja em abril, após denúncias efetuadas em março. Antes disso, ele começou a difamar as vítimas entre outras pessoas do convívio da igreja.
Em outro caso, ele ameaçou o companheiro de uma mulher afirmando que acionaria uma facção, após o homem questionar o pastor sobre os abusos cometidos.
Alan Pereira abusou de ao menos três mulheres adultas e dois menores de idade.


