Perfil do autista brasileiro: estudo aponta baixo acesso a diagnóstico e terapias
Mapa Autismo Brasil foi divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Autismos

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil | Marcelo Camargo/Agência Brasil
O acesso ao diagnóstico de autismo e às terapias no Brasil segue limitado, é o que aponta o Mapa Autismo Brasil (MAB), primeiro perfil sociodemográfico sobre pessoas autistas do país. O estudo foi divulgado nesta quinta-feira (9).
Realizada pelo Instituto Autismos, a pesquisa ouviu 23.632 autistas e cuidadores em todo o país, com o objetivo de identificar o perfil do autista brasileiro e os serviços que lhe estão disponíveis.
As entrevistas foram realizadas de forma remota, entre os dias 29 de março e 20 de julho de 2025. Nelas, foram ouvidos 16.807 responsáveis por pessoas autistas e 4.604 adultos autistas, além de 2.221 participantes que se identificam como parte das duas categorias.
De acordo com o estudo, apesar de cerca de 25% da população brasileira ter acesso a planos de saúde, 20,4% dos entrevistados informaram ter confirmado o diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No entanto, apenas 15,5% dos entrevistados afirmaram realizar terapias pela rede pública de saúde, enquanto mais de 60% informaram utilizar planos de saúde ou pagar o serviço de forma particular.
Perfil
Das 23.632 entrevistas colhidas, foi possível traçar o seguinte perfil do autista brasileiro:
- 60,8% são brancos; 32%, pardos; 5,2%, pretos; 1,1%, amarelos; e 0,25%, indígenas;
- 65,3% são homens e 34,2%, mulheres;
- 72,1% estão na faixa etária até 17 anos, enquanto 27,9% têm entre 18 e 76 anos;
- 28,6% possuem renda familiar até R$ 2.862; 37,9%, entre R$ 2.862 e R$ 9.540; e 20,33%, acima de R$ 9.540;
- 53,7% possui nível 1 de suporte (o mais baixo); 33,7%, nível 2 de suporte; e 12,6%, nível 3 de suporte (o que requer maior auxílio no dia a dia);
- Comorbidades: 51,5% têm transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH); 41,1%, transtorno de ansiedade; 27,9%, transtornos do sono; 23,2%, distúrbios gastrointestinais; 19,3%, transtorno do desenvolvimento da linguagem; 19,1%, altas habilidades/superdotação; 17,5%, transtorno depressivo; 16,4%, deficiência intelectual; e 12,1%, transtornos específicos da aprendizagem;
- Comunicação: 55,5% falam frases completas e longas; 29,5% fazem ecolalias (palavras e frases repetidas de forma repetitiva), 28,1% falam poucas palavras/frases, 7,65% não falam e não usam comunicação aumentativa e alternativa (CAA) ou escrita, 4,15% falam pouco e usam CAA, 3,51% não falam e usam CAA e 0,59% usam língua brasileira de sinais (Libras);
- Benefícios: 76,6% utilizam algum benefício; 36,7% usam o cartão de identificação da pessoa com TEA, 30% usam atendimento preferencial em serviços e 20,7% usam vaga de estacionamento para pessoas com deficiência; 16,6% possuem acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), 12,9% ao passe livre para pessoas com deficiência e 7,7% à isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).


