Picanha sobe menos no 3º ano do governo Lula 3, e inflação da cerveja acelera

A picanha subiu menos do que em 2024, quando a alta havia sido de 8,74%

Por FolhaPress
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Picanha sobe menos no 3º ano do governo Lula 3, e inflação da cerveja acelera

Foto: EBC

LEONARDO VIECELI

Os preços da picanha para o consumidor brasileiro acumularam alta de 2,82% em 2025, o terceiro ano do terceiro governo Luiz Inácio da Lula da Silva (PT), enquanto a cerveja consumida em casa aumentou 5,97%.

É o que apontam os dados do índice oficial de inflação do país, o IPCA, divulgados nesta sexta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A picanha subiu menos do que em 2024, quando a alta havia sido de 8,74%. A cerveja, por sua vez, acelerou frente ao ano anterior, quando a variação havia sido de 4,5%.

O consumo da carne e da bebida virou assunto político a partir das eleições de 2022. Candidato à época, Lula defendeu a ideia de que o brasileiro deveria voltar a fazer churrascos com os dois produtos. 

Conforme o IBGE, os preços da picanha haviam acumulado alta de 8,74% em 2024 e queda de 10,69% em 2023, os dois primeiros anos do governo petista.

Já a cerveja consumida no domicílio havia subido tanto em 2024 (4,5%) quanto em 2023 (5,29%). A variação de 2025 (5,97%) é a mais intensa desde 2022 (9,37%), na gestão de Jair Bolsonaro (PL).

Os dados do IPCA sinalizam que os preços das carnes como a picanha perderam força ao longo do segundo semestre de 2025.

O movimento refletiu principalmente a ampliação da oferta de produtos no mercado interno, e não uma decisão de governo, segundo Fernando Iglesias, coordenador de mercados da consultoria Safras & Mercado.

Em 2025, o Brasil desbancou os Estados Unidos e assumiu a liderança mundial na produção de carne bovina.

"Por mais que a exportação tenha sido contundente, tivemos uma grande produção que limitou altas mais agressivas de preço", afirma Fernando.

A carne brasileira foi alvo do tarifaço dos Estados Unidos no ano passado, mas o setor buscou ampliar os embarques para outros parceiros, com destaque para a China.

Em 2026, a perspectiva é de baixa na produção nacional devido a uma "inversão" no ciclo pecuário, diz Fernando.

Segundo ele, o abate de fêmeas foi "muito amplo" em 2024 e 2025, e agora os pecuaristas tendem a retê-las para conseguir gerar novos bovinos, o que deve reduzir a disponibilidade de animais no mercado nos próximos meses.

O consultor também projeta um recuo nas exportações em 2026. Isso porque a China anunciou, em 31 de dezembro, uma tarifa de 55% sobre a carne bovina do Brasil que exceda uma cota de importação.

De acordo com Fernando, espera-se aumento de preços no mercado interno ao longo do ano, mas a alta não deve ser "agressiva".

Ele afirma que o endividamento das famílias, mesmo com a recuperação do mercado de trabalho, impede grande pressão inflacionária.

"O brasileiro não tem condições de absorver muitos reajustes na carne bovina."

Ainda de acordo com o analista, a febre dos sites de aposta, conhecidos como bets, é outro fator que dificulta elevações intensas nos preços.

"Gera um efeito negativo sobre a demanda. Tira um dinheiro da economia que iria para bens de consumo direto, para alimentação, e que acaba sendo desviado para esse outro tipo de consumo."

Na quinta (8), o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) disse que a imposição pela China de medidas de proteção comercial gera necessidade de a pecuária brasileira ampliar as opções de escoamento dos seus produtos dentro e fora do país.

No dia 30 de dezembro, antes do anúncio chinês, a instituição havia afirmado que a demanda interna e externa pela carne bovina do Brasil deveria seguir em crescimento em 2026.

Já o aumento da produção nacional, conforme o Cepea, seria "desafiador", mas o centro não descartava uma nova expansão, ainda que "comedida", neste ano.

"No contexto global, as projeções são de diminuição de oferta de carne e, por consequência, os preços devem ser fortalecidos, reiterando o estímulo à produção", disse a instituição.

"Num ano em que acontecem eleições gerais no Brasil e Copa do Mundo, a tendência é que haja mais dinheiro em circulação. E, mesmo com contas pendentes atrapalhando parcialmente o consumo, outros fundamentos macroeconômicos podem estimular as vendas domésticas de carne bovina", acrescentou.

No IPCA, os preços da picanha são pesquisados pelo IBGE em Brasília e nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza e Porto Alegre.

Já a coleta da inflação da cerveja consumida no domicílio ocorre em 15 das 16 metrópoles que compõem o índice geral, inclusive São Paulo. A exceção, nesse caso, é Rio Branco.

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