PM preso após atirar em entregador têm versão apresentada em depoimento contestada :"nem para mentir ele presta"
Militar foi preso durante serviço no bairro de Valéria nesta quarta-feira (2).

Foto: Arquivo pessoal
O policial militar Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim de 38 anos investigado por atirar contra o entregador por aplicativo Cirilo Carvalho, de 27 anos, foi preso preventivamente nesta quarta-feira (2), no bairro da Valéria, em Salvador, enquanto estava em serviço. O caso aconteceu no dia 24 de agosto, após um desentendimento de trânsito em São Rafael.
Segundo as investigações, o PM efetuou um disparo à curta distância contra a perna de Cirilo e teria feito ameaças de morte após a discussão. O projétil atingiu a região acima do joelho direito. A vítima deve passar por uma nova cirurgia ainda nesta semana.
Mesmo ferido, o entregador conseguiu dirigir o próprio veículo até as proximidades da Estação de Metrô de Pituaçu, onde recebeu ajuda de populares e foi encaminhado para atendimento médico. Ele permanece internado após ser baleado, no Hospital Geral do Estado.
A versão apresentada em depoimento anterior pelo policial é contestada pela família da vítima. De acordo com Samile Sahade, esposa de Cirilo, o PM teria alegado que o entregador tentou tomar a arma dele antes do disparo.
“Eu quero saber, não sei quem gosta de anime, mas eu queria saber se o braço do meu marido é feito de borracha, que esticou e alcançou uma arma que estava do lado de fora do carro enquanto ele estava sentado no banco do motorista. Eu só vou deixar essa reflexão aí, porque nem para mentir ele presta”, publicou Samile Sahade, em suas redes sociais.
Durante a investigação, foram reunidos vídeos gravados pela própria vítima durante a abordagem, depoimentos de testemunhas e outros elementos utilizados para identificar o policial como responsável pelo disparo.
A prisão preventiva foi solicitada pela Polícia Civil, por meio da Delegacia Territorial de Pau da Lima, vinculada ao Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM). A medida foi autorizada pela 3ª Vara das Garantias de Salvador após manifestação favorável do Ministério Público. O mandado foi cumprido pela Corregedoria da Polícia Militar da Bahia. O investigado permanece à disposição da Justiça.


