Procurador municipal do Maranhão fez empréstimo de R$ 93 milhões para adquirir ações do BRB
Daniel Faria Leite é apontado como "figura instrumental" de Daniel Vorcaro

Foto: Divulgação/TRE-MA
Um procurador municipal de São Luís (MA) conseguiu empréstimos de R$ 93,7 milhões em uma empresa de crédito com vínculo com a Reag, com a intenção de adquirir ações do Banco Regional de Brasília (BRB). As informações foram divulgadas pela coluna de Demétrio Vecchioli, do portal Metrópoles.
Uma investigação técnica realizada pela Kroll, contratada pelo banco, aponta que Daniel de Faria Jerônimo Leite atuou como “figura instrumental” de Daniel Vorcaro, Maurício Quadrado e João Carlos Mansur na operação.
A informação está descrita em documentos que foram anexados ao processo aberto pelo banco contra Vorcaro, Leite, o Master e várias outras empresas, fundos e pessoas que teriam atuado de maneira coordenada para assumir o controle acionário do BRB de forma oculta e fragmentada, possibilitando a perpetuação da venda de carteiras de crédito “podres” ou inexistentes.
Os chamados ACP 1 e ACP 2, que são os aumentos de capital privado do banco, foram registrados entre 2024 e 2025. Na primeira rodada, dois empresários que possuíam participação acionária adquiriram cotas para, na sequência, repassá-las aos fundos Verbier (controlado por Maurício Quadrado) e Borneo (pelos filhos de João Carlos Mansur, da Reag).
Ao se efetivarem como acionistas, os fundos foram autorizados a participar da segunda rodada, comprando cotas que foram repassadas por meio do “ecossistema” do Banco Master.
Segundo a Kroll, Daniel Faria conseguiu empréstimo de mais de R$ 93 milhões em abril de 2025, com taxa de 140% do CDI, e pagou R$ 90,5 milhões para adquirir parte das ações de um fundo, que foi adquirido da Verbier. Com a negociação acertada, no dia 30 de dezembro, o procurador de São Luís já tinha participação de 2,2% das ações do Banco de Brasília.
No processo registrado no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o banco aponta que Leite não tinha recursos suficientes para realizar um investimento desse porte, já que havia declarado ao Banco Central possuir renda mensal de R$ 35 mil e patrimônio total de aproximadamente R$ 6 milhões.
O TJDFT atendeu ao pedido liminar do BRB em fevereiro e determinou o bloqueio de todas as ações do banco pertencentes aos réus no processo, o que inclui Daniel Faria, que, na ocasião, possuía 8.667.854 ações ordinárias e 2.033.913 ações preferenciais. No momento do bloqueio, no dia 26 de fevereiro, as ações equivaliam a aproximadamente R$ 50 milhões.
Procurador se manifesta
Daniel Faria se manifestou a respeito do processo e disse que os números apresentados pelo BRB relacionados aos recursos são falsos. Ele ainda afirmou possuir rendimento mensal de R$ 579 mil e patrimônio de R$ 75 milhões.
O procurador também reforçou que, além de atuar no município, é “proprietário rural”, conselheiro federal da OBA e advogado, sócio-fundador da Daniel Leite & Advogados Associados. Daniel também foi secretário municipal de São Luís, diretor-geral do Tribunal de Justiça do Maranhão e juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA).
Para justificar o investimento no BRB, Daniel informou que a estimativa de retorno acima de 20% é equivalente a um ganho de aproximadamente R$ 20 milhões. Diante disso, o procurador recorreu a um empréstimo no Qista, braço de crédito e financiamento da Reag.
A Kroll considera que Daniel ajudou a promover a “circularidade de recursos”, em que o dinheiro do empréstimo utilizado pelo procurador voltou ao ecossistema do Banco Master por meio de aplicações em CDBs, sem gerar valor econômico real para o investidor, mas servindo para ocultar os reais beneficiários das ações.


