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Projeto Vozes Vissungueiras lança em São Paulo documentário e vinil dedicado à preservação da memória afro-mineira!

Aos detalhes...

Por Michel Telles
Às

Projeto Vozes Vissungueiras lança em São Paulo documentário e vinil dedicado à preservação da memória afro-mineira!

Foto: Divulgação

O projeto Vozes Vissungueiras ganha um novo capítulo de sua trajetória com o lançamento de um documentário inédito e de uma edição em vinil do álbum homônimo, lançado no final de 2025 e concebido como instrumento de salvaguarda e transcriação de um dos mais importantes patrimônios linguísticos e musicais de matriz bantu preservados no Brasil. Ambos serão apresentados ao público em 31 de julho, com exibição do filme e audição do vinil na Casa Farofa, no centro de São Paulo.

Mais do que celebrar os dois lançamentos, o encontro consolida um percurso iniciado há pouco mais de um ano, quando o projeto reuniu músicos e pesquisadores para, juntos, transformar antigos cantos do Alto Jequitinhonha e da Serra do Espinhaço (MG) em uma obra coletiva de criação artística e preservação da memória cultural africana no Brasil.  O álbum digital – disponível nas plataformas de streaming –, o documentário e o vinil passam agora a constituir diferentes camadas de um mesmo documento histórico, ampliando a difusão dos vissungos para além da experiência fonográfica e contribuindo com a transmissão desse legado para gerações futuras.

Com direção geral e curadoria de Rita Teles – que também atua como cantora e assina a produção executiva do álbum –, Vozes Vissungueiras reúne os seguintes artistas: Graciela SoaresJuçara Marçal, Sérgio PererêTiganá Santana, o diretor musical e arranjador Salloma Salomão e Mestre Enilson Viríssimo, herdeiro da tradição dos vissungos. Além dos músicos envolvidos na produção – Gui Braz (violão, flauta, baixo, guitarra, percussão e timbila), Otis Selimane (percussão), Marcelinho Dendem (baixo) e Di Ganzá (cordas) –, o projeto inclui outros dois curadores: os pesquisadores Luciano Mendes Joana Corrêa, que compartilham reflexões sobre a permanência dos vissungos na cultura brasileira e o diálogo entre os registros históricos realizados por Aires da Mata Machado Filho, Luiz Heitor Corrêa de Azevedo e a memória preservada por comunidades de Milho Verde e São João da Chapada (MG).

Dirigido por Fernando Solidade, o documentário Vozes Vissungueiras acompanha a construção do álbum desde as primeiras gravações em estúdio. Em seus 33 minutos, reúne imagens de bastidores, ensaios, apresentações e depoimentos de músicos, pesquisadores e curadores, revelando o processo criativo que aproximou tradição oral, pesquisa acadêmica e criação musical contemporânea. Ao registrar encontros, escutas e etapas de criação compartilhadas até o lançamento oficial do álbum no Centro Cultural São Paulo, em dezembro de 2025, o documentário transforma esse percurso coletivo  em patrimônio audiovisual, revelando uma dimensão da obra que a experiência exclusivamente sonora não seria capaz de alcançar.

Essa mesma perspectiva orienta a edição especial de Vozes Vissungueiras em vinil. Mediado pelo selo Made in Quebrada Discos, o LP foi concebido como um documento de preservação cultural. A tiragem de 300 exemplares, integralmente fora de circulação comercial, terá distribuição exclusiva entre comunidades guardiãs dos vissungos, artistas participantes, pesquisadores, coletivos de cultura negra e instituições dedicadas à salvaguarda da memória musical brasileira. Os discos serão destinados às comunidades de Milho Verde e São João da Chapada, entre outras regiões que preservam a memória dos vissungos, além de acervos públicos como a Biblioteca Nacional, a Discoteca Oneyda Alvarenga, do Centro Cultural São Paulo e instituições de preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural brasileiro.

Mais do que registrar uma obra musical, a edição em LP materializa um dos princípios que orientam Vozes Vissungueiras desde sua origem: compreender os vissungos como um patrimônio vivo, em permanente movimento. Devolvê-los simbolicamente às comunidades que os preservaram ao longo das gerações é também uma forma de compartilhar o conhecimento construído coletivamente durante o projeto.

“O desejo de recriar essas memórias em fonogramas sempre foi muito maior do que o gesto de gravar um disco. Nossa intenção era produzir, ao lado de outros registros fundamentais dos séculos XIX, XX e XXI, mais um documento de difusão dos vissungos para as próximas gerações. O documentário nasceu simultaneamente ao álbum, com o propósito de registrar a potência dos encontros que tornaram esse projeto possível. Cada participante foi cuidadosamente escolhido para ajudar a reescrever essas páginas de forma coletiva, e o LP assume agora o papel de um registro histórico destinado às comunidades, aos artistas, aos pesquisadores e a todos aqueles que compartilham a responsabilidade de preservar e transmitir esse legado”, conclui Rita Teles.

SERVIÇO

Audição do vinil e exibição do documentário Vozes Vissungueiras

Data: 31 de julho de 2026 (sexta-feira), às 19h

Casa Farofa – Terraço – Entrada gratuita

Endereço: Rua Treze de maio, 240 – Bela Vista - São Paulo (SP)

 

Ficha Técnica Vozes Vissungueiras

Curadoria: Luciano Mendes, Joana Corrêa e Rita Teles

Produção executiva e musical: Núcleo Coletivo das Artes Produções

Direção de produção: Rita Teles

Assistentes de produção: Jaqueline Rosa, Rosy Silwa, Pedro Lucas

Gravação: Estúdio Mocambo Digital

Direção musical: Salloma Salomão

Arranjos: Salloma Salomão e Gui Braz

Assistente de direção musical: Gui Braz

Mixagem e masterização - Nilson Costa (Audiocompany)

Percussão: Gui Braz, Luciano Mendes, Otis Selimane, Salloma Salomão

Cordas: Di Ganzá

Baixo: Marcelinho Dendém, Gui Braz

Violão e guitarra: Gui Braz

Flauta: Gui Braz, Salloma Salomão

Timbila: Gui Braz

Vozes: Graciela Soares, Luciano Mendes, Mestre Enilson Viríssimo, Rita Teles, Salloma Salomão

Artistas Convidados: Juçara Marçal, Sérgio Pererê, Tiganá Santana

Cobertura audiovisual: Fernando Solidade

Identidade visual: Silvana Martins (Estúdio Aruêra)

Social media: Talita Belltrame

Coordenação de som (shows): Luiz Araújo (Jaraguá Dub)

Designer de iluminação: Dedê Ferreira

Acessibilidade (libras e audiodescrição): Mão Preta Libras

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