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PT defenderá mandato para ministros do STF após crise na corte pressionar campanha de Lula

Tema já aparecia em discussões internas do partido, mas ainda não havia sido endossado pela cúpula da legenda.

Por FolhaPress
Às

PT defenderá mandato para ministros do STF após crise na corte pressionar campanha de Lula

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

CAIO SPECHOTO E CATIA SEABRA - O PT defenderá, em resolução política, a ideia de mandatos para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A proposta vem como resposta ao diagnóstico do próprio partido de que a campanha à reeleição do presidente Lula (PT) está em risco diante da crise sem precedentes na corte.

O tema já aparecia em discussões internas do partido, como mostrou a Folha, mas ainda não havia sido endossado pela cúpula da legenda.

A direção do partido tomou a decisão em uma reunião nesta quinta-feira (10), parte de um esforço para tentar retomar a iniciativa na campanha eleitoral. Dirigentes petistas avaliaram que Lula corre risco real de perder a eleição para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que vem crescendo nas pesquisas de intenção de voto.

Diversos petistas interromperam suas campanhas nos estados para participar presencialmente da reunião, em Brasília. O encontro buscou reorganizar a campanha nacional em uma espécie de freio de arrumação.

O partido também começou a discutir uma reformulação nos órgãos de controle do Judiciário e do Ministério Público, de acordo com o presidente da legenda e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva. Ele falou a jornalistas depois da reunião da cúpula da legenda.

"Estamos falando de ampliação do CNMP [Conselho Nacional do Ministério Público], ampliação do CNJ [Conselho Nacional de Justiça], para que a sociedade civil tenha mais assentos nos órgãos que fiscalizam. E também a questão de mandatos para as cortes", declarou Edinho.

Não haveria ainda uma proposta, por exemplo, com o tempo dos mandatos. "É abrir o debate de mandatos, nós não detalhamos", disse Edinho.

A possibilidade de instituir mandatos para o STF foi, meses atrás, mencionada pelo próprio Lula em declaração pública. "Não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75 anos. É muito tempo. Então, acho que pode ter um mandato", declarou o petista em fevereiro.

A crise no Supremo se agravou depois de o ministro André Mendonça tirar, na semana passada, o sigilo de informações da investigação sobre a relação entre Alexandre de Moraes e o antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Moraes teria sido consultado por Vorcaro se deveria fugir do país para não ser preso —a troca de mensagens ocorreu poucos dias antes da detenção de Vorcaro. Além disso, o ministro editou um contrato de R$ 131 milhões do escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci, com o Master.

A avaliação de petistas é que Lula sofre desgaste porque, como é presidente, tende a ser responsabilizado pelo eleitorado mesmo por ações que não são suas. Além disso, o chefe do governo cultivou uma relação de proximidade com o STF ao longo do atual mandato, inclusive com Moraes.

Na reunião desta quinta, petistas discutiram formas de retomar a iniciativa na campanha presidencial. Em conversas reservadas, integrantes do partido avaliaram, ao longo dos últimos dias, que Lula estava na defensiva havia muito tempo.

"Temos que ser mais enfáticos na questão da reforma do Poder Judiciário, que é uma bandeira antiga do PT. Temos legitimidade para falar disso, não estamos falando agora porque a Suprema Corte está em crise", declarou.

A cúpula do partido ouviu, de participantes da reunião, reclamações sobre a demora na entrega de material da campanha de Lula nos estados. Na conversa com jornalistas, Edinho admitiu que houve um erro nesse planejamento.

"Uma campanha do tamanho dessas, é evidente que tem erro. Planejou mal a elaboração de material", declarou o presidente do PT. Ele disse que a ideia de descentralizar a produção nos estados não funcionou, por exemplo, porque nem todas as gráficas têm estrutura suficiente. "Trouxemos de volta a produção desses materiais para os grandes centros", afirmou.

Também houve, na reunião, a avaliação de que o tom das primeiras semanas de campanha de Lula foi equivocado e que houve um excesso de otimismo. Agora, o tom deverá ser mais propositivo e assertivo.

Edinho afirmou que um dos focos deverá ser a segurança pública. Além disso, na reunião, houve uma indicação para que os integrantes do partido defendessem reiteradamente o fim do sigilo do inquérito do Banco Master.

Aliados de Lula apostam que informações dessa investigação poderiam causar desgaste a Flávio Bolsonaro. A esperança é alimentada por um áudio, divulgado em maio, em que o bolsonarista pede dinheiro a Vorcaro para concluir o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro.

Petistas dizem acreditar que o inquérito contém mais material sobre esse tema, que causou um dos momentos mais críticos da pré-campanha do adversário.

"O momento que o país está vivendo exige uma ação muito efetiva por parte do Supremo Tribunal Federal para reestabelecer até mesmo o respeito institucional pelo Supremo. Para isso, o Fachin não tem outra saída a não ser determinar a abertura completa do sigilo de todas essas investigações. INSS, Banco Master, tudo. Se necessário, inclusive do inquérito das fake news", disse o líder do governo na Câmara e candidato a senador Paulo Pimenta (PT-RS).

Outros integrantes da legenda falaram em radicalizar a campanha, no sentido de fazer uma disputa política mais acirrada com o bolsonarismo, respondendo com mais agilidade os ataques dos adversários.

"Essa reunião é decisiva, de linha, de realinhar, e apresentar a campanha a partir de agora numa linha de radicalismo que a conjuntura exige, é ir para o enfrentamento. Nas ruas e mudança no programa de TV", declarou o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.

A linha a que Guimarães se refere é a "linha política", como se diz no jargão. Trata-se de oferecer uma linha de argumentação para os aliados propagarem quando há um acontecimento relevante. Petistas e integrantes de outros partidos que apoiam Lula têm reclamado de uma demora para que esse tipo de orientação seja dado.

O momento atual tem gerado inquietação entre aliados históricos, como movimentos sociais, sindicatos e partidos do chamado campo progressista. Eles se queixam de apatia e reivindicam maior participação na campanha de Lula, em patamar semelhante ao papel que desempenharam na campanha vitoriosa de 2022.

Até dentro do PT e da equipe do presidente há queixas relacionadas a uma falta de vigor na campanha, sem identificar se essa é uma responsabilidade de sua coordenação ou do próprio candidato.
 

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