Qual perfil de profissional de controladoria e finanças a sua empresa precisa?

Foto: Reprodução/Magnific
José Carlos Oyadomari
O processo de contratação de um CFO ou de um gerente de controladoria costuma começar pelo currículo do profissional, mas deveria começar pela empresa. Cada negócio tem demandas e cultura próprias, e o profissional certo é aquele cujas competências se encaixam nesse contexto, e não necessariamente o de currículo mais impressionante.
Acompanhei o caso de uma empresa de grande porte, mas de cultura bastante familiar: o dono presente no dia a dia, pouca terminologia em inglês e ferramentas de informática simples. O CFO contratado vinha de multinacionais e teve dificuldade de se adaptar. Não ficou.
Em outro caso, a empresa tinha acabado de ser adquirida pela holding. Precisava menos de um especialista em normas contábeis e mais de alguém hands-on, capaz de lidar ambiente menos regulado. Não deu match.
A ambição do profissional também conta. Em uma empresa do setor de ti, a melhor escolha foi alguém que queria se tornar CFO e via na vaga de uma pequena empresa, em crescimento, esse caminho. Em outra, o gerente de controladoria veio de outro estado e aceitou uma posição com menos autonomia porque queria morar em São Paulo. Nos dois casos, o que o profissional buscava combinava com o que a empresa oferecia.
Às vezes, a resposta não é uma pessoa, mas uma dupla: um CFO forte em gestão de caixa e endividamento ao lado de um gerente de controladoria focado em compliance (o cumprimento de normas e controles internos) ou em encontrar oportunidades de melhoria de desempenho dentro de casa.
Há, ainda, um ponto frequentemente esquecido: o perfil de quem contrata. O novo profissional vai trabalhar com o dono ou com o diretor que o escolheu. Estilo de decisão, ritmo e forma de se comunicar pesam tanto quanto a competência técnica.
Antes de abrir a vaga, vale responder a seis perguntas:

Com essas respostas em mãos, começa a busca. Aplicativos e redes sociais ajudam, mas têm dois limites conhecidos: muitas vagas desse nível não são divulgadas, e os profissionais mais adequados muitas vezes não estão procurando emprego. Por isso, vale acionar a própria rede e, quando fizer sentido, recorrer a recrutamento especializado. Seja qual for o caminho, o critério é o mesmo: confirmar com evidências que o profissional tem as competências de que a empresa precisa.
José Carlos Oyadomari (PhD). Professor, consultor e conselheiro de empresas. Professor desde 1983. Mais de 40 anos de experiência empresarial na área de controladoria. Atua também no hunting técnico de profissionais de controladoria e finanças. Coautor do livro Contabilidade Gerencial (Gen Atlas). Instagram: @prof.oyadomari. Site: https://oyadomari.pro.br.


