Renan Santos volta a negar apoio a Lula ou Flávio e diz que vai justificar o voto no 2º turno
Ex-presidenciável não declarou apoio a nenhum dos dois concorrentes no segundo turno e, desde a apuração de 4 de outubro

Foto: Felipe Soares/Partido Missão
MARIANA GRASSO E JOÃO PEDRO ABDO
O ex-candidato Renan Santos, que disputou a Presidência pelo partido Missão, não irá às urnas no domingo (25) para votar no segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A informação foi confirmada à Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (23) pela assessoria dele. O líder do MBL (Movimento Brasil Livre) passará o fim de semana com a família em Vinhedo, no interior do estado de São Paulo, e deve justificar a ausência à Justiça Eleitoral.
O ex-presidenciável não declarou apoio a nenhum dos dois concorrentes no segundo turno e, desde a apuração de 4 de outubro, vem dizendo que não pretende orientar seus eleitores a votar em Lula ou Flávio.
Após o primeiro turno, Renan afirmou que deixaria seus apoiadores livres para escolher. "Eu não voto em bandido. Não recomendo a ninguém que vote em bandido. Flávio é bandido. Lula é bandido", disse.
Ele concentrou parte das críticas em Flávio. Chamou o senador de "um homem fraco e um corrupto" e afirmou que, caso fosse eleito, o Brasil seria governado pelo "mais corrupto da família Bolsonaro".
Nos primeiros dias após o primeiro turno, o ex-candidato passou a modular o discurso da campanha e a interagir mais com eleitores de esquerda. "Não sou Bolsonaro, então como eu posso ser direita?".
À Folha, na ocasião, disse estar disposto a conversar com pessoas de esquerda e admitiu ter "passado do tom" em alguns momentos da campanha.
A mudança ocorreu em meio à disputa de petistas e bolsonaristas pelos votos recebidos por ele no primeiro turno. Renan ficou em quarto lugar, com 2,24% dos votos válidos.
Ele afirmou acompanhar os esforços dos dois grupos para conquistar seus eleitores e disse que "a turma da esquerda está muito mais divertida na tentativa deles".
Naquele período, a cantora Anitta passou a segui-lo no Instagram e compartilhou uma publicação com críticas feitas por ele à atuação dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
Após o primeiro turno, o ex-candidato publicou um vídeo mostrando cortinas vermelhas recém-compradas para sua casa. Parte dos seguidores interpretou a escolha da cor como uma sinalização política.
Renan rejeitou a interpretação. Ao comentar a repercussão, afirmou: "Eu odeio o PT. Eu jamais vou votar no Lula" e disse que não havia mensagem política na decoração. Segundo ele, as cortinas serviriam para bloquear melhor a entrada de luz no quarto. "Isso aqui é só uma cortina", afirmou.
A rejeição aos dois adversários já havia marcado sua campanha presidencial. Em 7 de setembro, durante ato no Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, afirmou que Lula representava o risco de um governo autoritário de esquerda e que Flávio representava uma "oligarquia de corruptos do centrão".
Antes, em 1º de agosto, durante evento nacional do Missão em São Paulo, havia chamado Lula e Flávio de "vagabundos" e dito que ambos deveriam "ir para a lata de lixo da história". Também se referiu ao petista como "maldito" e classificou o senador como "farsante, fraco e corrompido".
Renan segue negando apoio a Lula ou Flávio conforme o segundo turno se aproxima. Em live na sexta-feira (23), ele seguiu criticando ambos. Além de não declarar sua preferência eleitoral, o ex-candidato se colocou menos como participante da disputa e mais como analista.
Na transmissão, que durou uma hora e 20 minutos, Renan fez comentários sobre as campanhas e reclamou da baixa audiência em alguns momentos.
Ele afirma que Nikolas Ferreira (PL-MG) está "carregando a campanha do Flávio no segundo turno". O candidato do PL, afirma Renan, é um "personagem político meio louco" e não pode basear sua campanha nas próprias falas.
Do outro lado, apontou André Janones (Rede-MG) como o "general de campo" de Lula. Disse que o petista caminhava para uma derrota certa, voltou à disputa e aparece empatado com Flávio em votos válidos no Datafolha, em pesquisa divulgada na quinta-feira (22).
Para Renan, esta é "a maior eleição de mobilização de rua da história do Brasil, de longe", mas "uma não eleição, com não debate, com não discussões". Vence quem levar mais eleitores às urnas, disse.


