Renault confirma novo SUV híbrido com investimento de mais R$ 2 bi

SUV será feito sobre a plataforma GEA da Geely, a mesma do EX5

Por Marcos Camargo Jr.
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Renault confirma novo SUV híbrido com investimento de mais R$ 2 bi

A Renault iniciou com o Kardian uma das maiores transformações de sua história recente no Brasil. O SUV compacto estreou uma nova identidade visual, tecnologias inéditas e uma plataforma mais moderna, abrindo caminho para produtos como o Boreal e a futura picape Niagara. Agora, essa renovação ganhará uma segunda frente com a incorporação das arquiteturas e dos sistemas eletrificados da Geely.

A Renault Geely do Brasil anunciou um novo ciclo de investimentos de R$ 2 bilhões no país. O aporte eleva para R$ 5,8 bilhões o volume destinado à operação brasileira entre 2025 e 2027 e terá como principal resultado a produção de um Renault inédito sobre a plataforma GEA, sigla para Global Intelligent Electric Architecture. O Farol da Bahia acompanhou os detalhes do anúncio em Curitiba/PR.

O modelo começará a ser fabricado em 2027 no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR). Será o primeiro Renault nacional construído sobre uma arquitetura fornecida pela Geely e também o primeiro produto brasileiro ligado ao plano estratégico FutuREady.

A fabricante ainda não revelou oficialmente o nome, a carroceria ou a motorização do veículo. Informações de bastidores, porém, apontam para um SUV eletrificado de porte médio, que poderá representar uma nova geração do Arkana. O comunicado confirma apenas que o automóvel terá identidade Renault e utilizará a plataforma GEA.

Do Kardian à tecnologia da Geely

O Kardian marcou o início da mudança da Renault no mercado brasileiro. Além de substituir a imagem associada a produtos mais antigos, o SUV inaugurou uma estratégia baseada em carros de maior valor agregado, mais tecnológicos e posicionados em segmentos superiores.

Esse movimento continuou com o Boreal, SUV médio produzido no Paraná, e avançará com a Niagara, picape argentina que chega para disputar espaço com Fiat Toro, Ford Maverick e os novos modelos eletrificados previstos para a categoria.

Esses veículos utilizam tecnologias desenvolvidas dentro do próprio Renault Group. A parceria com a Geely acrescenta uma nova base técnica a essa renovação, principalmente nas áreas de eletrificação, conectividade e sistemas híbridos.

Na prática, a Renault não precisará desenvolver todos os projetos desde o início. Poderá aproveitar uma arquitetura moderna e flexível da Geely, aplicando carroceria, acabamento, calibração e identidade visual próprios. Isso reduz custos e encurta o tempo necessário para colocar novos veículos nas ruas.

A cooperação vai, portanto, muito além de abrir espaço na fábrica brasileira para os produtos da fabricante chinesa. As tecnologias da Geely também serão utilizadas para acelerar a renovação do portfólio da Renault.

Novo Renault permanece em segredo

A arquitetura GEA pode receber diferentes tipos de carroceria e sistemas de propulsão. Ela foi projetada para sustentar veículos elétricos e híbridos, inclusive com motores a combustão adaptados às características de cada mercado.

O R7-Autos Carros já havia antecipado que a Renault estuda um compacto elétrico para a América do Sul derivado do Geely EX2. Esse projeto continua em avaliação, mas não foi identificado pela empresa como o veículo anunciado para 2027.

Outra possibilidade é a produção de um SUV maior com perfil esportivo e conjunto híbrido, apontado nos bastidores como sucessor do Arkana. Nesse caso, o futuro modelo ocuparia uma faixa superior à do Kardian e complementaria a presença da Renault entre os SUVs eletrificados.

Independentemente do nome escolhido, o lançamento mostrará como a Renault pretende utilizar uma plataforma chinesa sem simplesmente trocar os emblemas do veículo. A expectativa é de que o produto tenha desenho, interior, equipamentos e acerto dinâmico alinhados à nova fase da marca francesa.

Geely EX5 híbrido e EX2 elétrico serão nacionais

Antes da estreia do novo Renault, a plataforma GEA será utilizada para ampliar a produção brasileira da própria Geely.

A montagem do EX5 EM-i Super Hybrid começou no início de setembro, enquanto o lançamento comercial está previsto para ocorrer antes do fim de 2026. O SUV combina um motor a combustão com um sistema elétrico e será o primeiro híbrido da Geely produzido no Brasil.

O passo seguinte será a nacionalização do EX2. A produção do hatch elétrico começa em dezembro de 2026 no Paraná. Atualmente importado da China, o modelo também utiliza a arquitetura GEA.

Esses projetos fazem parte da primeira etapa de investimentos, de R$ 3,8 bilhões, anunciada no fim de 2025. O novo aporte de R$ 2 bilhões amplia o plano e inclui definitivamente os produtos da Renault nessa estrutura industrial compartilhada.

Com mais modelos sobre uma mesma arquitetura, as duas marcas poderão dividir componentes, fornecedores e processos produtivos, embora preservem identidades e posicionamentos comerciais diferentes.

Renault terá sistema híbrido 4x4 flex

Além do novo veículo sobre a base GEA, a Renault confirmou que produzirá no Brasil a tecnologia Hybrid E-Tech 4x4 flex a partir de 2027.

A empresa ainda não informou qual modelo receberá o conjunto nem divulgou dados de potência, bateria ou autonomia. A presença da tração integral, no entanto, indica uma aplicação em SUVs ou picapes de maior porte.

O sistema poderá utilizar o motor a combustão para movimentar um eixo e uma unidade elétrica para acionar o outro. Essa configuração dispensa uma ligação mecânica convencional entre as rodas dianteiras e traseiras e permite controlar a tração de maneira eletrônica.

A compatibilidade com etanol será especialmente importante. Enquanto grande parte dos híbridos importados ainda utiliza somente gasolina, a Renault prepara uma tecnologia adaptada à matriz energética brasileira.

Mais do que oferecer um híbrido flex, a proposta sinaliza uma nova etapa na estratégia da marca. Depois de renovar os motores, plataformas e sistemas eletrônicos com Kardian, Boreal e Niagara, a Renault passará a disputar o mercado com conjuntos eletrificados mais potentes e sofisticados.

Fábrica do Paraná vira polo multienergia

O Complexo Industrial Ayrton Senna passou por grandes transformações no início de 2026 para receber a arquitetura GEA. Com os novos equipamentos, a unidade poderá fabricar veículos a combustão, híbridos, híbridos flex e totalmente elétricos.

Essa flexibilidade será fundamental em um mercado no qual os carros flex ainda concentram a maior parte das vendas, mas os eletrificados avançam rapidamente. Renault e Geely poderão ajustar a produção de acordo com a demanda sem fazer uma aposta exclusiva em apenas uma tecnologia.

“Este novo investimento demonstra nossa confiança no Brasil como mercado de crescimento estratégico para a Renault. O anúncio de um novo veículo Renault baseado na plataforma GEA sinaliza uma etapa importante para a marca”, afirma Fabrice Cambolive, CEO da Renault e presidente do conselho da Renault Geely do Brasil.

Para a Geely, a fábrica brasileira representa uma porta de entrada industrial para a América Latina, com redução de custos logísticos, maior conteúdo local e menor dependência das importações.

“Os investimentos acumulados demonstram nosso compromisso absoluto para introduzir nossas tecnologias de ponta, incluindo a arquitetura GEA, para liderar a nova transição energética na América Latina”, diz Victor Yang, vice-presidente sênior do Geely Holding Group.

A transformação iniciada pelo Kardian, portanto, entra agora em uma fase mais profunda. A Renault já renovou seu desenho, reposicionou seus produtos e começou a ocupar segmentos de maior valor. Com as plataformas da Geely e a produção nacional de sistemas híbridos, a marca passa a contar também com a escala e a tecnologia necessárias para acelerar sua entrada na eletrificação.

 

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