Semana Criativa de Tiradentes celebra 10 anos com programação que une design, arte, cultura, gastronomia, moda, tradição e contemporaneidade!
Com expectativa de mais de 20 mil visitantes, ruas, casarões e espaços públicos da cidade histórica serão ocupados pelo festival entre 15 e 18 de outubro

Foto: Divulgação
Em 2026, a Semana Criativa de Tiradentes chega à sua 10ª edição celebrando uma trajetória de transformação. O que começou como um encontro entre design e artesanato tendo como palco a histórica cidade mineira tornou-se, ao longo de uma década, um projeto de inovação social que abraça arquitetura, arte, moda, gastronomia, música, preservação do patrimônio e as mais diversas manifestações da cultura brasileira. Entre 15 e 18 de outubro, Tiradentes novamente recebe uma programação que reflete essa evolução com a estreia de dois novos espaços, A Casa D'Preto e a Casa Rio, a presença de mais de 80 palestrantes e a expectativa de superar os 22 mil visitantes e a marca de mais de 200 atividades da edição anterior.
"Hoje, entendemos a Semana Criativa de Tiradentes como um festival de criatividade e cultura em que essas diferentes áreas se encontram e se contagiam positivamente. O design continua sendo uma linguagem fundamental, mas o festival hoje fala de cultura brasileira por meio da música, da arte, da arquitetura, do artesanato, da moda, da culinária, dos territórios e diferentes formas de criação", afirma a jornalista Simone Quintas, idealizadora do evento ao lado do produtor cultural Júnior Guimarães.
Curadoria ampliada e diversificada
A trajetória da Semana Criativa é marcada por um movimento constante de abertura e renovação. A curadoria, que nasceu com forte conexão entre design e artesanato, foi incorporando outras linguagens até se tornar o que é hoje: um espaço de encontro entre diferentes expressões da criatividade brasileira. Em 2025, o festival promoveu mais de 200 atividades com 36 designers, cerca de 300 artesãos representados direta e indiretamente, e mais de 80 mil atendimentos ao público. Ainda em construção e com divulgação no dia 5 de outubro, a evolução da programação da 10ª edição pode ser conferida no perfil do Instagram @semanacriativadetiradentes e já reúne nomes como o artista visual Thiago Rocha Pitta, o chef confeiteiro Lucas Corazza, a future thinker Andrea Bisker, a arquiteta Lígia Agostini, o artista do bambu Marcelo Maia, a pesquisadora em moda e biomateriais Tainah Fagundes, a urbanista social Ester Carro, o designer quilombola Dih Morais, a cientista de dados Zaika dos Santos, além de bate-papos com a Família Dumont, o ator Luis Melo e o homenageado da edição, o artista tiradentino Vinicius Rosa Rios.
A realização de um festival dessa magnitude em uma cidade histórica como Tiradentes, segundo os organizadores, é também uma decisão de conteúdo em que o diálogo entre patrimônio, saberes tradicionais e produção contemporânea é um dos pilares do evento.
"Tiradentes não é apenas o cenário onde o festival acontece. A cidade faz parte da identidade da Semana Criativa. Realizar um evento dessa dimensão é também reafirmar o convite para que o público vivencie a programação enquanto circula pela cidade e se relaciona com sua história e com seus moradores – isso é algo que não se replica, por exemplo, em um centro de convenções", afirma Guimarães.
Números, impacto e a força do território
O crescimento do público é um dos indicadores mais evidentes da relevância do festival. Em 2024, foram 14 mil visitantes; em 2025, o número saltou para aproximadamente 22 mil pessoas ao longo dos quatro dias – 57% a mais e cerca de três vezes a população da cidade. Quase metade desse público, 46%, vem de Minas Gerais, 23% de São Paulo, 13% do Rio de Janeiro e 18% de outros estados – o que gera uma demanda direta por hospedagem, alimentação, transporte e comércio. Do público total presente na mais recente edição, 36% foi formado por arquitetos, designers e paisagistas.
O Mercado da Semana Criativa, que neste ano ganha novo endereço na Villa da Matriz, reúne marcas, artesãos e pequenos produtores de diferentes regiões do Brasil, consolidando-se como uma importante frente de comercialização e visibilidade para a produção autoral. Um dos desafios, reconhece Guimarães, é fazer com que essa movimentação econômica se distribua cada vez mais pela cidade – e a própria estrutura descentralizada do festival, ocupando diferentes casas, já contribui para esse objetivo:
"O fato do festival não se concentrar em um único espaço, mas em diversas ruas e casas de Tiradentes, já faz as pessoas caminharem pela cidade, favorecendo essa movimentação no comércio local como um todo", pondera.
A sustentabilidade financeira do festival também é um capítulo à parte. Foram dez anos construindo credibilidade, público, conteúdo e relações de longo prazo com parceiros que forjaram a solidez da trajetória da Semana Criativa de Tiradentes.
"Os patrocinadores passaram a compreender que estar presente no festival não se trata apenas de exposição de marca, mas de participar de um projeto que tem identidade muito definida e uma relação real com a cidade, com o artesanato e com a cultura brasileira. Não vendemos espaço na Semana Criativa justamente porque queremos ter controle do que está sendo exibido e discutido. É indispensável que estejam todos alinhados com a nossa razão de existir", defende Simone.
Novas vozes, novos territórios e o legado para a comunidade
A ampliação do festival para novos públicos é um dos marcos dessa década. Novos Projetos como A Casa D'Preto e da Casa Rio traduzem esse movimento de abertura para outras vozes, outros repertórios e novas experiências.
Sob a curadoria dos arquitetos e urbanistas Pedro Rubens e Heloisa Nascimento, A Casa D'Preto ocupa o Casarão Ramalho, sede do IPHAM, e nasce como uma resposta urgente para valorizar saberes, artes e tecnologias ancestrais historicamente silenciadas. Guiada pelo símbolo Adinkra Eban, que representa amor, segurança, abrigo e proteção, a programação inclui a exposição Orí-gem, com artistas locais como Bruno Henrique de Souza, Hudson Silveira, Selma Maria e Elizabeth Ramos; o I Encontro Nacional do HUB Arquitetura D'Preto, reunindo coordenadores de 16 estados brasileiros e Lisboa; o lançamento da Plataforma Arquitetura D'Preto, que conecta clientes a profissionais negros da construção civil; e a exibição do documentário A Casa D'Preto, com direção de Daniel Pereira e Tainara Matos.
"A diversidade de ações programadas para a estreia da Casa D’Preto ajuda a ampliar o olhar sobre o Brasil e mostra que a criatividade brasileira não pode ser compreendida a partir de uma única região, estética ou linguagem. Essa pluralidade é fundamental para aquilo que queremos que a Semana seja: um espaço de encontro entre diferentes expressões da cultura brasileira", destaca Guimarães.
Estreando na Semana Criativa de Tiradentes, a Casa Rio funciona como um espaço-conceito e uma ativação cultural criada por Didi Maakaröun (Conceito MAADI) e Vivi Baldeija (Capivara do Vale). O projeto desenvolve ações integradas de curadoria estética e narrativa contemporânea, reunindo design autoral, arte, artesanato e vivências sensoriais. O objetivo é criar conexões comerciais e afetivas com o público, traduzindo de forma sensível a essência cultural fluminense dentro do festival mineiro
Além dos quatro dias de evento, a Escola da Semana Criativa de Tiradentes e as imersões realizadas ao longo do ano vêm fortalecendo a economia criativa local, conectando designers, arquitetos e artesãos da região em um processo contínuo de troca de conhecimento, valorização de técnicas e geração de renda.
"Uma das transformações mais importantes desses dez anos foi entender que a Semana Criativa não poderia existir apenas durante quatro dias por ano. A Escola da Semana nasce justamente dessa vontade de criar uma atuação permanente, ligada à transmissão de saberes e fazeres e à formação. Em paralelo às próximas edições, queremos aprofundar cada vez mais essa presença ao longo do ano e fortalecer a relação com a comunidade local. O festival cresceu muito, mas nosso maior desafio agora é fazer com que esse crescimento deixe um legado cada vez mais consistente para Tiradentes e para a região", conclui Simone Quintas.


