Servidores do IBGE discutem possível greve a partir de 5 de agosto

Assibge afirma que a paralisação se tornou "inevitável" diante de uma série de "medidas precarizantes" e da "postura autoritária" da presidência do IBGE

Por FolhaPress
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Servidores do IBGE discutem possível greve a partir de 5 de agosto

Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

LEONARDO VIECELI 

A entidade sindical dos servidores do IBGE, a Assibge, anunciou a realização de assembleias até o fim de julho para discutir uma possível greve nacional a partir de 5 de agosto. O cronograma foi divulgado pela associação em uma nota nesta segunda (13).

A Assibge afirma que a paralisação se tornou "inevitável" diante de uma série de "medidas precarizantes" e da "postura autoritária" da presidência do IBGE. Também diz que a direção se recusa a receber a representação dos trabalhadores, travando negociações.

A presidência do IBGE é ocupada por Marcio Pochmann desde agosto de 2023. O economista foi indicado pelo presidente Lula (PT), de quem é próximo.

Segundo a Assibge, a insatisfação da categoria está ligada a questões diversas.

Cortes de indenizações pagas a trabalhadores que fazem pesquisas em campo, suspensão do PGD (Programa de Gestão e Desempenho) para servidores em estágio probatório e "transferências arbitrárias" de funcionários fazem parte da lista citada pela entidade.

O PGD é um modelo de trabalho da administração pública federal focado em resultados e entregas, em vez de horas trabalhadas. O programa permite atividades remotas, mas tem avaliações de execução das tarefas.

O trabalho no IBGE é guiado por um calendário anual de divulgações previamente definido.

Procurada pela reportagem, a direção do órgão disse que a instituição busca romper a "ausência de padronização nacional na gestão dos servidores".

"A ausência de normatização nacional permitiu que o IBGE, desde a pandemia, convivesse com uma diversidade de regimes de trabalho entre seus servidores, considerando a sede, as 27 superintendências estaduais e mais de 560 agências espalhadas por todo o Brasil", afirmou.

"Para enfrentar esse desafio, a atual gestão aprovou, no âmbito do Conselho Diretor, o desenvolvimento e a consolidação, em até 60 dias, de uma proposta de padronização do regime nacional de trabalho dos servidores", acrescentou.

A direção ainda afirmou que, de "forma democrática, transparente e participativa", o instituto deverá superar "desigualdades internas" e avançar na implementação de indicadores e métricas de novo padrão nacional de regime de trabalho.

A ameaça de greve marca um novo capítulo da crise que se arrasta no órgão desde 2024.

À época, a Assibge começou a criticar projetos da atual direção, como a criação de uma fundação, a IBGE+, que poderia produzir trabalhos para a iniciativa privada. A fundação não avançou após a reação dos servidores.

A presidência do instituto tem adotado um discurso de reconstrução e modernização do órgão, que completou 90 anos em maio.

Na ocasião, a direção disse que o IBGE vem percorrendo desde 2023 um "caminho inédito de diálogos frequentes e sistemáticos", com encontros nacionais de servidores, conferências e reuniões virtuais.

"O respeito à diversidade e à pluralidade, interna e externa, não significa ausência de conflito", acrescentou à época.

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