• Home/
  • Notícias/
  • Economia/
  • Setor de combustíveis diz que medidas do governo para conter alta do diesel são insuficientes

Setor de combustíveis diz que medidas do governo para conter alta do diesel são insuficientes

Segmento vinha cobrando ação emergencial diante da crise

Por FolhaPress
Às

Setor de combustíveis diz que medidas do governo para conter alta do diesel são insuficientes

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

NICOLA PAMPLONA E FELIPE MENDES - As medidas anunciadas pelo governo para conter a alta do preço do diesel foram consideradas insuficientes pelo setor de combustíveis e por segmentos do transporte que vinham cobrando ação emergencial diante da crise.

Fontes do setor destacaram que a diferença entre o preço cobrado pela Petrobras e as cotações internacionais está hoje bem superior ao desconto de R$ 0,64 por litro concedido pelo governo com isenção de PIS/Cofins e subvenção a produtores e importadores.

Na abertura do mercado desta quinta-feira (12), por exemplo, o litro do diesel nas refinarias da estatal custava R$ 1,61 a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

"A medida resolve parcialmente, mas é necessário chamar os governadores para que o governo federal possa discutir a questão da isenção também do ICMS dos estados, como foi feito no governo anterior referente à pandemia", disse Wallace Landim, um dos líderes dos caminhoneiros.

O ICMS é hoje o principal item de custos no preço final do diesel, fora o próprio combustível. O imposto representa R$ 1,17 por litro, o equivalente a 19% do valor pago, em média, pelo consumidor.

Landim é presidente da (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), entidade que ameaça convocar greve dos caminhoneiros caso o governo não tomasse medidas para enfrentar o aumento do preço dos combustíveis.

"A gente observou que, principalmente no Centro-Oeste, um aumento no diesel de mais de 25% nas últimas semanas. O que as distribuidores e os revendedores estão fazendo com essa manobra é inadmissível, porque não teve um aumento na Petrobras", afirmou à Folha de S.Paulo.

De fato, distribuidoras e importadores privadas repassaram a escalada das cotações internacionais aos volumes de diesel que trazem do exterior. Dona da maior refinaria privada do país, a Acelen já promoveu três reajustes no preço do diesel desde o início do mês.

Segundo a Edenred TicketLog, o preço médio do diesel subiu 7,7% no Brasil após o início da guerra. As maiores altas foram verificadas nas regiões Nordeste (8,79%) e Centro Oeste (7,11%).
A Petrobras, por sua vez, não mexe nos preços do diesel há mais de 300 dias, embora venha repassando parte da alta do produto importado em leilões, segundo fontes. Na semana passada, a presidente da estatal, Magda Chambriard, alegou que ainda era cedo para determinar em qual patamar ficariam as cotações do petróleo.

Distribuidoras e importadores alertam que a elevada defasagem dos preços da Petrobras dificulta importações privadas e pode afetar o abastecimento nacional, principalmente de diesel, produto mais pressionado pela guerra.

O país importa cerca de um quarto de seu consumo de diesel. Metade das importações é feita pela Petrobras, e a outra metade, por empresas privadas, que têm menor disposição para segurar preços.

Com as medidas anunciadas nesta quinta, elas podem importar o diesel com desconto de R$ 0,64, mas ainda assim com preço bem acima do praticado pela Petrobras.

"Em princípio, a medida é boa e necessária, considerando o preço do petróleo nesse patamar", disse o presidente da Abicom, Sérgio Araújo. "Mas ainda precisamos analisar melhor como vai funcionar a subvenção".

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:redacao@fbcomunicacao.com.br
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário

Nome é obrigatório
E-mail é obrigatório
E-mail inválido
Comentário é obrigatório
É necessário confirmar que leu e aceita os nossos Termos de Política e Privacidade para continuar.
Comentário enviado com sucesso!
Erro ao enviar comentário. Tente novamente mais tarde.