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Superdotação feminina: a inteligência que sente demais e o talento que o mundo ainda insiste em silenciar!

“Por trás de mulheres brilhantes, sensíveis e inquietas, há um perfil cognitivo pouco compreendido, e frequentemente confundido com transtornos psiquiátricos”, explica a Dra. Thaíssa Pandolfi

Por Michel Telles
Às

Superdotação feminina: a inteligência que sente demais e o talento que o mundo ainda insiste em silenciar!

Foto: Redes Sociais

Por muito tempo, a superdotação foi associada apenas a números altos de QI, genialidade acadêmica ou desempenho excepcional em testes. Mas essa visão limitada tem invisibilizado um grupo crescente de mulheres que vivem uma experiência mental, emocional e existencial muito mais intensa do que a média e, justamente por isso, sofrem em silêncio. Segundo a médica psiquiatra, Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em superdotação feminina e altas habilidades associadas à alta sensibilidade, a superdotação está longe de ser apenas uma vantagem intelectual. “Superdotação não é só pensar rápido ou saber mais. É experimentar o mundo com profundidade, complexidade e intensidade. Essas mulheres refletem desde cedo sobre temas existenciais, têm um senso de justiça muito aguçado, uma criatividade fora do padrão e uma sensibilidade emocional que capta o que não é dito, apenas sentido”, explica a médica.

Esse funcionamento mental mais complexo faz com que mulheres superdotadas apresentem uma curiosidade quase insaciável, aprendizagem acelerada e uma capacidade singular de conectar informações de forma não linear. Ao mesmo tempo, essa intensidade pode se manifestar como hiperfoco em interesses específicos, mergulhos profundos que duram horas, anos ou até uma vida inteira, até que um novo fascínio surja e reorganize toda a atenção.

A superdotação feminina não é um fenômeno raro, apenas invisibilizado. Artistas como Fabiana KarlaKell Smith e Lady Gaga já trouxeram a público relatos que dialogam com características clássicas das altas habilidades, como sensibilidade emocional elevada, criatividade intensa e percepção ampliada do mundo.

A sensibilidade emocional elevada, frequentemente confundida com fragilidade, é outro traço central. “Elas sentem demais. Absorvem o sofrimento alheio, a energia dos ambientes e a incoerência entre discurso e prática. Quando isso não é compreendido, surgem quadros de ansiedade, exaustão emocional e uma constante sensação de inadequação”, afirma Dra. Thaíssa. Não é raro que essas mulheres passem anos em consultórios psiquiátricos recebendo diagnósticos equivocados, como transtornos de humor ou de personalidade, quando, na verdade, estão lidando com uma superdotação não reconhecida.

Outro ponto marcante é o senso de justiça elevado. Pequenas injustiças, contradições éticas ou desigualdades sociais provocam indignação profunda, o que pode gerar conflitos com figuras de autoridade e frustrações recorrentes no ambiente profissional e afetivo. “Elas não conseguem simplesmente ignorar o que não faz sentido moralmente. Isso tem um custo emocional alto”, ressalta a psiquiatra.

A consequência desse descompasso entre o funcionamento interno e o mundo externo é, muitas vezes, o isolamento. Sentir-se “fora do lugar” desde a infância, não se reconhecer nos grupos, carregar crises de identidade e solidão são relatos comuns. “Superdotação não é privilégio. É uma forma intensa de existir. Quando não acolhida, vira sofrimento silencioso. Quando compreendida, se transforma em potência criativa, ética e transformadora”, conclui Dra. Thaíssa Pandolfi.

Em um momento em que temas como saúde mental feminina, diversidade cognitiva e liderança sensível ganham espaço no debate global, compreender a superdotação para além dos estereótipos pode ser a chave para libertar talentos que, até agora, foram mais pressionados a se adaptar do que convidados a florescer.

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