Superpetroleiros chineses transitam pelo estreito de Ormuz

Dois superpetroleiros chineses atravessaram o estreito de Ormuz neste sábado (11)

Por Da Redação
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Superpetroleiros chineses transitam pelo estreito de Ormuz

Foto: Reprodução/Jornal Nacional

Dois superpetroleiros chineses atravessaram o estreito de Ormuz neste sábado (11), segundo dados de navegação da LSEG (London Stock Exchange Group), sendo provavelmente as primeiras embarcações a deixarem o Golfo Pérsico desde o acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irã, firmado no início desta semana.

Os petroleiros de grande porte Cospearl Lake e He Rong Hai, ambos fretados pela Unipec, braço comercial da maior refinaria da Ásia, a Sinopec, entraram e saíram da "área de ancoragem experimental da Passagem de Ormuz", que contorna a ilha iraniana de Larak, no sábado, segundo dados divulgados.

A notícia representa um retorno importante no tráfego de transporte de petróleo, dias após o frágil anúncio de cessar-fogo entre os EUA e o Irã.

Se os navios passarem neste sábado a viagem dura cerca de oito horas, será o dia de maior saída de petróleo pelo Canal de Ormuz desde que a guerra praticamente paralisou o tráfego na hidrovia no início de março. Nenhum deles transporta petróleo do Irã ou tem ligações diretas e óbvias com o país. Desde o início da guerra, a grande maioria do petróleo bruto que saiu da região veio da República Islâmica.

A reabertura do estreito de Ormuz é crucial para o comércio mundial de petróleo, pois seu fechamento resultou na perda de milhões de barris de oferta para os mercados globais. A retomada das operações aliviaria a pressão sobre os mercados físicos cada vez mais restritos em todo o mundo. Os Estados Unidos e o Irã devem realizar negociações de paz em Islamabad nos próximos dias.

Os dois superpetroleiros chineses seriam os primeiros daquele país asiático a serem vistos transportando barris de petróleo para fora da região, uma vantagem para Pequim, mas que, no entanto, ressalta que o país também tem sido afetado pelo conflito.

Em termos de fluxo de petróleo, as saídas são significativas, mas ainda muito abaixo dos níveis em tempos de paz. Os três petroleiros juntos têm uma capacidade de transporte de cerca de 6 milhões de barris de petróleo bruto. Além disso, o Irã exportou a uma taxa de cerca de 1,7 milhão de barris por dia no mês passado. Isso implicaria cerca de metade da taxa normal de embarques pela hidrovia e apenas por um único dia.

Há também um terceiro petroleiro chinês, que não emitiu sinais no sábado, e que estava aguardando próximo aos dois primeiros antes de eles partirem do Golfo Pérsico.

O petroleiro grego Serifos estava sinalizando para Malaca, na Malásia, que deu na sexta-feira (10) autorização para que os navios cargueiros do país partissem. Malaca também é um ponto de passagem para navios que seguem para outros destinos na Ásia. O Irã afirmou que as embarcações estão autorizadas a navegar pela hidrovia, mas que precisam obter permissão para fazê-lo.

O Serifos e o He Rong Hai carregaram suas cargas na Arábia Saudita, enquanto o Cospearl Lake o fez no Iraque, segundo os dados de rastreamento.

Os três navios parecem ter seguido uma rota mais ao norte pelo estreito, conforme exigido por Teerã. Esse trajeto passa por águas iranianas e ao longo da costa das ilhas de Qeshm e Larak, bem distante das rotas marítimas tradicionais de Ormuz, que acompanham a costa sul do estreito.

Quase todo o tráfego pela hidrovia, que normalmente transporta cerca de um quinto do petróleo mundial e uma porção semelhante de gás natural liquefeito, foi paralisado em um dia após o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Embora o rastreamento digital de navios possa estar sujeito a manipulação, os sinais dos três navios parecem consistentes com movimentos reais das embarcações.

MARINHA DOS EUA TENTOU TRAFEGAR NO ESTREITO

Vários navios da Marinha dos EUA cruzaram o Estreito de Ormuz no sábado, em uma ação que não foi coordenada com o Irã, informou o portal Axios, citando um oficial americano não identificado. É a primeira vez que isso acontece desde o início do conflito.

Já a a agência de notícias semioficial iraniana Fars informou que um destróier americano foi visto se deslocando de Fujairah em direção ao canal.

As forças armadas do Irã monitoraram a situação e transmitiram a informação aos EUA por meio de mediadores paquistaneses, disse a agência de notícias.

De acordo com a agência Fars, o navio americano retornou do estreito depois que Teerã o alertou de que seria alvo de ataques.

O Paquistão está mediando as negociações de paz entre os EUA e o Irã em Islamabad, em meio a um cessar-fogo de duas semanas nas hostilidades, que já duram dois meses.

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