The Economist diz que mundo rico deve temer “Brasilização” da dívida pública
Publicação aponta juros altos e dificuldade de ajuste fiscal como riscos

Foto: Raphael Ribeiro/BCB
A revista britânica The Economist usou o Brasil como exemplo de alerta para países ricos. Em artigo publicado na última quinta-feira (12), a publicação afirma que economias desenvolvidas deveriam temer a chamada “Brasilização”, termo usado para descrever um cenário em que juros muito altos tornam a dívida pública cada vez mais difícil de controlar.
Com a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, o governo brasileiro “provavelmente tomará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros”, diz o texto, mesmo com as contas primárias próximas do equilíbrio.
Atualmente, a dívida líquida do Brasil está em 66% do PIB. Para a publicação, esse nível é considerado alto entre países emergentes, mas ainda abaixo da média das economias mais ricas.
Projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que a dívida pública bruta brasileira pode chegar a 99% do PIB até 2030. Em 2010, esse percentual era de 62%, o que mostra uma trajetória de crescimento ao longo dos anos.
Dilema brasileiro
A revista afirma ainda que o Brasil enfrenta um dilema: promover cortes profundos de gastos públicos ou correr o risco de entrar em um ciclo de aumento contínuo da dívida e dos juros. No entanto, avalia que um ajuste fiscal mais rigoroso é politicamente difícil no atual cenário.
O texto cita ainda o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputará a reeleição em outubro, afirmando que o governo ampliou despesas, o que reduziria as chances de um aperto fiscal no curto prazo.


