Valor de transferência de jogadoras brasileiras salta 170% desde 2024
Processo de contínua e crescente valorização das jogadoras brasileiras no futebol mundial acontece desde 2024

Foto: Divulgação/Barcelona
LUCAS BOMBANA - Ao anunciar a contratação da atacante Kerolin pelo valor recorde de 1,2 milhão (R$ 7,1 milhões) na última terça-feira (4), o Barcelona deu mais um passo dentro de um processo iniciado em meados de 2024, de contínua e crescente valorização das jogadoras brasileiras no futebol mundial.
Desde então, os valores com que as principais jogadoras do país vêm sendo negociadas no mercado internacional da bola já deram um salto de cerca de 170%, na esteira de um aumento da audiência e do apelo do jogo feminino.
Em abril de 2024, a zagueira Tarciane deu início à sequência ao tornar-se a maior transferência da história do futebol feminino brasileiro até então, negociada pelo Corinthians com o Houston Dash, da NWSL (National Women's Soccer League), dos Estados Unidos, por cerca de R$ 2,6 milhões (ou R$ 2,9 milhões, em valores atualizados pela inflação).
Apenas cinco meses depois, a atacante Priscila, do Internacional, medalha de prata com a seleção nos Jogos de Paris-2024, assumiu o posto, negociada com o América, do México, por R$ 2,8 milhões (R$ 3,1 milhões, atualizados pela inflação).
"A Priscila é uma atleta que acompanhamos muito de perto durante o processo de formação e sempre demonstrou características que a diferenciavam. Além do talento técnico, tinha personalidade, dedicação e uma vontade muito grande de evoluir", afirmou Elis Rodrigues Filho, diretor de futebol feminino do Internacional.
"Esse movimento mostra como o futebol feminino vive um momento de crescimento e consolidação, com mais investimento, visibilidade e oportunidades para que atletas brasileiras ocupem espaço nos principais clubes do mundo", disse o diretor colorado.
Com atuações de destaque em sua temporada de estreia nos Estados Unidos, Tarciane voltaria a assumir a liderança no ranking de brasileira mais valiosa do mercado. Em fevereiro de 2025, foi vendida pelo Houston Dash para o Lyon por US$ 960 mil (R$ 4,9 milhões em valores da época; R$ 5,3 milhões, atualizados pela inflação).
Em outubro de 2025, a atacante Amanda Gutierres passou à frente. Com os títulos do Campeonato Paulista (2024 e 2025) e da Copa do Brasil (2025) pelo Palmeiras na bagagem, foi negociada pela diretoria alviverde com o Boston Legacy, também da NWSL, por US$ 1,1 milhão (R$ 5,6 milhões; R$ 5,8 milhões, atualizados pela inflação).
O recorde viria a ser quebrado quase um ano depois, com a negociação de Kerolin ao Barcelona, atual campeão da liga espanhola e da Champions League, em um salto de 173,1% em relação ao valor da primeira grande venda de Tarciane, apenas dois anos atrás.
"Kerolin é um exemplo dentro e fora de campo. Ela compreendeu como poucas atletas como a performance esportiva pode gerar frutos comerciais e foi protagonista de uma transferência marcante para a história do futebol brasileiro", afirmou Sergio Feltrini, agente da Roc Nation Sports International, responsável por gerenciar a carreira da atacante.
Em junho de 2026, Kerolin esteve em uma campanha global de marketing da Nike, ao lado de nomes como Vinicius Junior e Cristiano Ronaldo, consolidando-se como um dos principais rostos da marca.
Ela também é uma das estrelas da nova campanha publicitária da Coca-Cola referente à Copa do Mundo feminina de 2027, que será realizada no Brasil.
"É o rosto da nova geração, vai inspirar milhões de garotas", disse o agente.
Primeira brasileira a vencer a WSL (Women's Super League, a liga inglesa) e campeã da Copa América com a seleção, Kerolin é a quarta maior venda da história do futebol mundial.
Ela fica atrás apenas da meio-campista francesa Grace Geyoro, negociada em setembro de 2025 pelo PSG (Paris Saint-Germain) com o London City por £ 1,43 milhão (R$ 10 milhões), da atacante sueca Felicia Schröder, vendida pelo BK Häcken para o Real Madrid, em junho de 2026, por 1,35 milhão (R$ 8 milhões) e da mexicana Lizbeth Ovalle, que trocou o Tigres-MEX pelo Orlando Pride, dos EUA, por 1,3 milhão (R$ 7,7 milhões; R$ 8 milhões, corrigidos pela inflação).
COO (Chief Operating Officer) da FSports, agência que detém os direitos de comercialização do futebol feminino da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) no ciclo 2025/29, Ruskaya Zanini disse que as atletas brasileiras são referências técnicas que cada vez mais são vistas como ativos de altíssimo valor no mercado internacional.
"Transações deste porte impulsionam todo o ecossistema, atraindo marcas globais, novos patrocinadores e provando que o futebol feminino é um produto rentável e em plena ascensão."
Embora ainda não conte com a média de público de grandes ligas da Europa e dos Estados Unidos, o futebol feminino tem conseguido atrair interesse crescente no Brasil, com recordes de público renovados nas últimas finais do Campeonato Brasileiro.
Em escala global, impulsionados pelas transmissões televisivas e pelas vendas com bilheteria, os esportes femininos terão, em 2026, receitas de aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões), segundo projeções da Deloitte.
"Esse movimento estimula a profissionalização da cadeia esportiva no Brasil e confirma uma tendência global irreversível de valorização financeira e estrutural da modalidade", acrescentou Zanini.
Gerente de futebol feminino do Internacional, Renata Armiliato afirmou que o crescimento das cifras envolvidas e do público nas arquibancadas é um claro sinal de que "existe interesse e conexão com o torcedor".
"Para os clubes, o desafio agora é transformar esse momento em estrutura, investimento e continuidade", disse ela.
TOP 5 VENDAS DO FUTEBOL FEMININO DO BRASIL
1) Kerolin (ago.26) 1,2 milhão (R$ 7,1 milhões), do Manchester City para o Barcelona
2) Amanda Gutierres (out.25) US$ 1,1 milhão (R$ 5,6 milhões), do Palmeiras para o Boston Legacy
3) Tarciane (fev.25) US$ 960 mil (R$ 4,9 milhões), do Houston Dash para o Lyon
4) Priscila (set.24) R$ 2,8 milhões, do Internacional para o América-MEX
5) Tarciane (abr.24) R$ 2,6 milhões, do Corinthians para o Houston Dash
TOP 5 VENDAS DO FUTEBOL FEMININO MUNDIAL
1) Grace Geyoro (set.25) £ 1,43 milhão (R$ 10 milhões; R$ 10,5 milhões, corrigidos pela inflação), do PSG para o London City
2) Felicia Schröder (jun.26) 1,35 milhão (R$ 8 milhões), do BK Häcken para o Real Madrid
3) Lizbeth Ovalle (ago.25) 1,3 milhão (R$ 7,7 milhões; R$ 8 milhões, corrigidos pela inflação), do Tigres para o Orlando Pride
4) Kerolin (ago.26) 1,2 milhão (R$ 7,1 milhões), do Manchester City para o Barcelona
5) Alyssa Thompson (set.25) £ 1 milhão (R$ 6,9 milhões; R$ 7,2 milhões, corrigidos pela inflação), do Angel City para o Chelsea


