Vídeo: Boneco de bebê negro vira alvo de vídeos violentos e gera denúncias de racismo
Usuários publicam vídeos onde amassam, pisam e batem no boneco

Foto: Reprodução / Redes Sociais
Um boneco antiestresse que representa um bebê negro, chamado Natasha, passou a ocupar o centro de uma ampla discussão internacional sobre racismo, desumanização e os desafios da moderação de conteúdo nas plataformas digitais. A controvérsia surgiu após a circulação de vídeos em redes sociais chinesas nos quais o brinquedo é submetido a cenas de violência e atos de conotação sexual, despertando críticas de ativistas, pesquisadores e organizações antirracistas.
Desenvolvido para funcionar como um brinquedo sensorial voltado ao alívio do estresse, o produto é confeccionado com material altamente flexível, capaz de ser comprimido, esticado e deformado sem sofrer danos imediatos. A proposta é semelhante à de outros objetos táteis comercializados para promover relaxamento e entretenimento.
Em diversas gravações compartilhadas na internet, usuários aparecem golpeando, pisando, perfurando, esfaqueando, mergulhando o boneco em água fervente e submetendo-o a outras formas de violência. Parte desse conteúdo também apresenta insinuações de caráter sexual, ampliando a repercussão do caso e levantando questionamentos sobre a banalização da violência em ambientes digitais.
De acordo com informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua, a popularidade do boneco começou após um vídeo que mostrava sua elasticidade e resistência viralizar nas redes sociais. Desde maio, fabricantes informam que mais de 100 mil unidades foram vendidas, sendo a versão de pele escura a mais procurada pelos consumidores, chegando, inclusive, a esgotar temporariamente em alguns períodos.
A repercussão ganhou novos contornos quando usuários da plataforma Weibo observaram que a versão de pele clara do brinquedo aparece com muito menos frequência nos vídeos violentos. Para estudiosos e movimentos antirracistas, esse padrão evidencia um possível viés racial, ao associar repetidamente a representação de um bebê negro a situações de agressão, reforçando estereótipos historicamente ligados à desumanização da população negra.
A própria imprensa estatal chinesa criticou a disseminação dos vídeos, destacando os efeitos negativos da promoção da violência. No entanto, as manifestações oficiais concentraram-se nesses aspectos, enquanto as denúncias sobre o componente racial foram impulsionadas principalmente por usuários, ativistas e veículos internacionais especializados na cobertura de direitos humanos.
Paralelamente, órgãos reguladores da China intensificaram fiscalizações sobre fabricantes e comerciantes para verificar a conformidade dos brinquedos com as normas de segurança e certificação. Alguns lotes chegaram a ser retirados de circulação por irregularidades relacionadas à produção, mas o boneco continua disponível nas principais plataformas de comércio eletrônico do país, sendo comercializado por valores inferiores a R$ 10.
O caso ampliou o debate internacional sobre os limites entre entretenimento e violência simbólica, além de reacender discussões sobre racismo estrutural, responsabilidade das plataformas digitais, algoritmos de recomendação e a necessidade de mecanismos mais eficazes para impedir a circulação de conteúdos que possam reforçar práticas discriminatórias ou promover a desumanização de pessoas negras.
Veja no vídeo abaixo (o vídeo contém imagens que podem ser sensíveis e provocar gatilhos em algumas pessoas):


