Vídeo: Em voto para condenar irmãos Brazão, Moraes diz que assassinato de Marielle uniu 'motivação política, misoginia e racismo'
Segundo o ministro, acusados não esperavam a repercussão nacional e internacional do caso.

Foto: Rosinei Coutinho/STF
O ministro Alexandre de Moraes afirmou. durante o julgamento do caso sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Siva no Supremo Trbunal Federal (STF), nesta quarta-feira (25), que o assassinato da vereadora deve ser compreendido como um crime com múltiplas motivações: política, misógina e racista. A declaração foi feita durante voto como relator no julgamento que analisa a responsabilização dos acusados pelo homicídio da parlamentar.
Segundo Moraes, o crime ultrapassa a condição de atentado contra uma agente pública e se insere em um contexto de dominação territorial por facções criminosas e milícias.
“Se juntou a questão política com misoginia, com racismo, com discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina de executores, quem iria ligar pra isso?”, afirmou o ministro
Em outro trecho do voto, o ministro reforçou que o assassinato precisa ser analisado também sob a perspectiva de violência de gênero.
“O assassinato de Marielle tem que ser compreendido não só como atentado a parlamentar, mas um crime na ideia de dominação do crime organizado, e também de violência de gênero, de interromper mulher que ousou ir de encontro aos interesses de milicianos homens, brancos e ricos. O recado a ser dado era esse”, disse.
Para o relator, os envolvidos não previam a repercussão do caso: “Numa cabeça de 50, 100 anos atrás, vamos executá-la e não terá repercussão. Eles não esperavam tamanha repercussão. E a partir disso, uma série de execuções”, afirmou.
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