Vídeo: "defendo a população trans, mas não vou ficar em silêncio", diz Ratinho sobre falas contra deputada Erika Hilton
Em vídeo publicado nas redes sociais, Ratinho afirmou que defende a população trans, mas pontuou que possui o direito de questionar os políticos

Foto: Reprodução/Instagram/@oratinho | Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O apresentador Ratinho se pronunciou novamente, nesta sexta-feira (13), sobre as falas consideradas transfóbicas direcionadas à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), realizadas durante o programa que comanda no SBT, na última quarta-feira (11). A declaração resultou em um pedido de investigação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), protocolado pela parlamentar.
Em uma publicação no Instagram, Ratinho afirmou que defende a população trans, mas pontuou que possui o direito de questionar os políticos.
"Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio", disse o apresentador.
"Convido jornalistas, comentaristas, apresentadores: falem. Publiquem. Não fiquem em silêncio. Porque silêncio é conivência", complementou.
Entenda o caso
Na última quarta-feira, durante seu programa no SBT, Ratinho comentou o resultado da votação que elegeu Erika Hilton como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Na ocasião, ele afirmou que "ela não é mulher, ela é trans".
"Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans. Mulher para ser mulher tem que ter útero, tem que menstruar", disse o apresentador.
A fala gerou debate nas redes sociais e internautas apontaram transfobia. A deputada comentou o caso e afirmou que as falas foram transmitidas em rede nacional e que isso “contribuiu para amplificar o alcance das declarações e potencializar seus efeitos discriminatórios”.
“As declarações proferidas pelo apresentador não se limitaram a uma crítica política ou a um debate institucional acerca da atuação da parlamentar, mas consistiram na negação explícita de sua identidade de gênero e na afirmação reiterada de que ela não seria uma mulher. Esse elemento constitui o núcleo da conduta aqui narrada e evidencia o caráter discriminatório do discurso proferido”, diz um trecho da representação de Erika Hilton.
Posteriormente, em conversa exclusiva com o Metrópoles, Ratinho negou ter ofendido a deputada. "Eu não a ofendi. Peço desculpas se ela considera isso, mas repito: não ofendi", disse o apresentador.
Ação no Ministério Público
Na quinta-feira (12), a deputada protocolou, no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), um pedido de investigação contra Ratinho. No documento, a parlamentar solicita a abertura de um inquérito policial e a prisão do apresentador. Caso seja condenado, o apresentador pode pegar até seis anos de prisão.
SBT se manifesta
Ainda na quinta-feira, o SBT emitiu um comunicado oficial no qual disse repudiar qualquer tipo de preconceito e afirmou que os comentários de Ratinho são o contrário dos valores que a empresa possui. A SBT ainda declarou que o apresentador falou por si próprio e não representando a empresa.
A presidente do SBT, Daniela Abravanel Beyruti, também telefonou para Erika Hilton para pedir desculpas pelas falas de Ratinho. Segundo revelado pela própria deputada, em entrevista à TV LeoDias, a conversa durou cerca de dez minutos.
"Ela me ligou, fizemos uma conversa por telefone de quase dez minutos. Foi muito gentil, muito educada", contou Erika. "Eu disse para ela, inclusive, o quanto a minha avó e a minha família sempre gostaram muito do SBT, do Silvio Santos. Cresci vendo o SBT na minha casa", complementou.
Segundo a parlamentar, Daniela reiterou o pedido de desculpas divulgado pela emissora na manhã desta quinta-feira. "Ela reforçou o pedido de desculpas em nome da emissora e disse que o SBT tomaria medidas", disse.
Confira o vídeo abaixo


