Vídeo: Professor critica instalação de catracas com reconhecimento facial em escolas municipais diante da falta de itens básicos
Uso do sistema de identificação biométrica facial nas escolas e creches está prevista na Lei n°9.940/2026, sancionada pela Prefeitura em março

Foto: Reprodução/ Redes Sociais de Jorge Sales.
O professor, jornalista e pré-candidato a deputado estadual pelo PSD, Jorge Sales, denunciou nas redes sociais a presença de catracas com sistema de reconhecimento facial nas escolas da rede municipal de Salvador, mesmo diante a falta de itens básicos, como ventilação adequada nas salas e merenda.
Em um vídeo compartilhado na última quinta-feira (11) [confira abaixo], Sales mostra, dentro de uma sala de aula, um aparelho ar-condicionado não instalado devido a falta de fiscalização por parte da empresa responsável.
Segundo o professor, os alunos têm assistido as aulas no "calor infernal de Salvador" com apenas dois ventiladores, pois a prioridade da prefeitura foi instalar catracas na instituição de ensino.
"Para que papel higiênico na escola se tem catraca? Para que livro didático, se tem catraca ? Hein, Priscila, sua colega aqui precisou comprar papel ofício para imprimir atividade. Para que papel ofício? A prioridade da prefeitura é catraca, é catraca. Não é ar-condicionado, não é papel higiênico, não são as coisas básicas de funcionamento da escola, é catraca, catraca facial", disse.
Na legenda da publicação, ele ainda questiona a quem interessa os gastos com esse tipo de equipamento e se algum estudo de impacto chegou a ser realizado.
"Estamos trocando o direito à educação plena pelo investimento em vigilância e controle. A quem interessa esse gasto? Onde está o estudo de impacto que justifica gastar com catracas enquanto o básico falta nas unidades?", questionou. E acrescentou :"Não aceitaremos que o discurso de “modernização” esconda o sucateamento da educação pública de Salvador", pontuou.
O uso do sistema de identificação biométrica facial nas entradas das escolas e creches da rede pública municipal direta e parceira está previsto na Lei n°9.940/2026, sancionada pela Prefeitura de Salvador. O dispositivo foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) no dia 4 de março deste ano.
O texto original, de autoria do correligionário do prefeito Bruno Reis, o vereador Cláudio Tinoco (União), prevê que a apresentação de um cronograma de licitação, contratação e instalação do sistema pelo Executivo no prazo de 90 dias, a partir da publicação da lei.
A norma ainda prevê que as despesas relacionadas a execução "por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário".
Apesar da previsão legal, informações sobre o cronograma e a licitação não foram encontrados. O Farol da Bahia entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação (Smed) para solicitar esclarecimentos da execução das etapas previstas na lei e aguarada retonro.
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