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Vídeo: Uso de hormônios na busca por físicos definidos pode expor jovens à riscos de saúde

Morte do influenciador Gabriel Ganley foi motivada por doença que pode ser agravada com uso de anabolizantes

Por Gabriel Rezende
Às

Atualizado
Vídeo: Uso de hormônios na busca por físicos definidos pode expor jovens à riscos de saúde

Foto: Drazen Zigic/Freepik/Divulgação

Corpos musculosos, dietas restritivas e as consequências futuras. O fisiculturismo tem sido um dos esportes de maior crescimento recente no Brasil nos últimos anos e atraído o sonho de milhares de jovens que sonham se tornar atletas profissionais da modalidade. Porém, a iniciação costuma ser precoce, sem acompanhamento médico adequado e que culmina até mesmo na morte agravada por problemas de saúde, a exemplo do influenciador Gabriel Ganley.

A autópsia confirmou que a morte do influencer foi provocada por cardiomiopatia hipertrófica. A doença faz o coração ficar mais espesso e rígido, dificultando o preenchimento do ventrículo esquerdo pelo sangue, aumentando o risco de arritmias graves. Na maioria dos casos, ela tem origem genética e pode acometer pessoas jovens e aparentemente saudáveis, que inclusive optam pelo uso de esteróides anabolizantes.

Foto: Reprodução/Instagram

Em entrevista ao Farol da Bahia, a cardiologista Carolina Thé (@carolthemacedo), do Núcleo TB, destacou que na maioria dos casos os pacientes não manifestam sintomas, mas ao manifestarem, eles podem variar entre falta de ar, palpitações, dor no peito ou até mesmo histórico familiar de morte súbita.

"Por isso a importância da avaliação cardiológica antes de iniciar qualquer atividade física. Será feito exames físicos, caso necessário, exames diagnósticos, como eletrocardiograma, ressonância, ecocardiograma para auxiliar a ter uma atividade segura, afirmou.

A cardiologista ainda informou que cardiomiopatia hipertrófica é uma das principais causas de mortes súbitas em jovens e atletas e alertou sobre os riscos que a utilização dos hormônios na saúde cardíaca.

"O uso de anabolizantes tem um impacto importante no coração, levando ao aumento exagerado da massa cardíaca com fibrose, como se fosse uma cicatriz no coração e isso aumenta o risco de infarto, AVC, pressão arterial e morte súbita. Para quem já tem doença muscular, isso aumenta o risco de modalidade", afirmou

A doutora também alertou que problemas cardíacos também podem ser desencadeados por estimulantes.

"Temos o excesso de termogênico, os pré-treinos e o excesso de cafeína que temos visto nas academias. Muitos desses produtos são estimulantes e aumentam a frequência cardíaca, a pressão arterial e para aqueles que já tem pré-disposição cardíaca, pode desencadear arritmias. Temos visto muitos pacientes nas emergências, jovens sob uso dessas substâncias, com taquicardia, cefaléia, crises hipertensivas", afirmou.

O fisiculturismo natural 

Nos últimos anos, a onda dos “naturais” tem se propagado mais entre os jovens, que buscam uma vida mais voltada ao físico sem utilização de hormônios. Atletas como Ícaro Lermen, que possui mais de 952 mil seguidores, costumam competir em confederações de naturais. Outros atletas como Daniel Bianchi e Daniel Aragão são alguns que visam conscientizar os mais jovens sobre os riscos de um ciclo de esteroides de maneira precoce.

O influenciador e nutricionista Rodrigo Góes costuma fazer um papel de alerta para os mais jovens que buscam se inserir no meio e iniciar a utilização dos hormônios em busca do físico perfeito. Com o clássico bordão “fake natty” ele brinca e também alerta para os perigos que os hormônios causam e a importância de quando começar caso seja do interesse do adolescente e quais as consequências futuras que podem ser enfrentadas.

Foto: Reprodução/Instagram

Apesar dos alertas, não são todos os jovens que estão dispostos a esperar desenvolver um bom físico antes de iniciar a utilização dos hormônios. Dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) mostram que de 1996 até 2024, um em cada 16 estudantes no Brasil já utilizou anabolizantes. O número maior foi encontrado em alunos do último ano do ensino médio (84%).

Em entrevista ao Farol da Bahia, a nutricionista Marcia Pacheco (@nutrimarciapjs) afirmou não existir uma idade certa para o começo de um ciclo de utilização de hormônios, mas reforçou a necessidade de um acompanhamento médico adequado.

"Mesmo que a pessoa queira iniciar esse processo de hormônios não existe uma idade definida para que ela comece a usar. Para fins estéticos não é recomendado, se ela quer para fins esportivos tem que ser avaliado individualmente, tipo de hormônio, a dosagem, o ciclo que vai ser utilizado, principalmente jovem que tá em fase de desenvolvimento, maturação hormonal, desenvolvimento físico, psicológico. Se for para uma faixa da adolescência o cuidado tem que ser mais redobrado", disse.

A nutricionista ainda afirmou que a utilização dos hormônios não necessariamente torna-se necessário fazer algum tipo de reposição futura, mas que pode vir a acontecer.

"Isso depende da resposta metabólica e fisiológica de cada indivíduo, tem uma questão genética envolvida, estilo de vida daquele indivíduo. Então pode estar utilizando, mas ter o estilo de vida totalmente incorreto ou mais saudável, mas de modo geral não necessariamente (se torna necessária reposição hormonal). Quando o indivíduo está em uso de hormônios, acaba acontecendo a redução da produção natural do corpo, quando ele para de usar, essa produção ela volta a aumentar, mas tem indivíduos que não volta a aumentar e aí nesses casos é necessário fazer uma nova reposição para tratamento e não com fins estéticos, mas para tratar um erro metabólico pelo uso de anabolizantes.", afirmou.

Com o fisiculturismo cada vez ganhando mais protagonismo e sob influência das redes sociais, o número de atletas brasileiros nas maiores competições como Arnold Classic e Mister Olympia torna-se espelho para jovens que visam trilhar o mesmo caminho, a maioria das vezes pulando etapas que até mesmo o impedem de subir nos palcos e seguir carreira na modalidade.

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