Zema chama STF de 'balcão de negócios' e detalha plano de privatizações
Candidato do Novo também defendeu mudanças na governança do Congresso

Foto: MPF
O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou nesta terça-feira (25) que o Supremo Tribunal Federal (STF) teria se transformado, para alguns ministros, em um “balcão de negócios”. A declaração foi dada durante entrevista à CBN, ao Valor Econômico e ao jornal O Globo.
Zema disse que vê diferenças entre os integrantes da Corte e afirmou que alguns ministros mantêm a confiança da população, enquanto outros, segundo ele, teriam usado o tribunal para interesses particulares.
“Eu acho que todo brasileiro sabe o que que aconteceu lá no Supremo. Nós temos de lembrar que tem joio e tem trigo lá no Supremo. Tem gente lá que eu acho que a maioria dos brasileiros confiam e tem gente que tem utilizado o Supremo para fazer negócios. Aquilo ali se transformou para alguns ministros num balcão de negócios", disse Zema.
Além das críticas ao STF, o candidato voltou a defender uma reforma política e propôs alterações na forma como Câmara e Senado são administrados internamente.
Zema questionou o poder concentrado nas mãos dos presidentes das duas Casas e citou situações em que pautas com apoio da maioria dos parlamentares não avançam por decisão da presidência.
“Nós precisamos, inclusive, mudar a questão da governança dentro do próprio Congresso. Um presidente barrar algo que 60% dos senadores assinaram, estão endossando. Será que esse presidente está representando adequadamente os interesses, a vontade do povo, dos parlamentares?”, disse Zema.
Segundo ele, mudanças desse tipo seriam implementadas de forma gradual caso seja eleito.
Privatizações
Zema também detalhou quais empresas públicas pretende incluir em seu programa de privatizações. Apesar de já ter defendido durante a pré-campanha a ideia de “privatizar tudo”, o candidato fez ressalvas e afirmou que algumas instituições permaneceriam sob controle estatal.
“Caixa não entra”, disse. “Entra BNDES, Banco do Brasil, Petrobras.”
Ele também afirmou que não pretende privatizar a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) nem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No caso do Banco do Brasil e da Petrobras, Zema defendeu a divisão das companhias em mais de uma empresa antes da privatização. Para a Petrobras, a proposta é criar operadores distintos por região.
O candidato argumentou que o modelo atual da estatal é ineficiente e que a fragmentação permitiria ampliar a concorrência.


