Neste artigo, eu elenco 7 sinais de que está na hora de uma empresa ser vendida, sinais esses que tenho visto na minha experiência empresarial, seja em consultoria ou nas minhas conversas com empresários e filhos de empresários. Os três primeiros são mais específicos ao empresário, portanto, somente ele é quem sente esses sinais. Já os demais são relacionados à empresa.
1. O custo do tempo do empresário é muito maior que os benefícios da satisfação e a remuneração atuais
Como disse uma vez um colega meu, professor de finanças pessoais, ao se questionar sobre lecionar aos sábados, ele se fez a seguinte pergunta: “quantos finais de semana eu tenho ainda para curtir com minha esposa?”. Isso é uma frase muito forte, é uma reflexão importante para todos nós que estamos no mundo corporativo em grandes cargas de trabalho. O custo de oportunidade é uma questão muito subjetiva. Na modelagem financeira, quando se calcula o valor de uma empresa, os modelos de valuation levam em conta o custo médio de capital (WACC, em inglês) para trazer a valor presente os fluxos de caixa futuros da empresa. De fato, esse WACC pode ser muito inferior ao “WACC” do empresário. Este último envolve uma conta que é difícil de fazer e bastante subjetiva, mas arriscaria dizer que leva em conta o prazer que esse empresário teria com esse tempo que ficaria liberado, Além disso, precisaria entrar na conta o que ele poderia conquistar no presente com os recursos obtidos pela venda da empresa, incluindo viagens e outros prazeres do cotidiano.
2. Você tem outras ideias para empreender
De fato, existem muitos empresários que têm outras ideias para empreender. Assim como na carreira corporativa, em que é visível profissionais trocando de profissão, muitos empresários agora munidos de maior bagagem e relacionamentos podem explorar essas competências em novos negócios. Ter tempo e recursos para isso pode ser uma decisão econômica também. Mesmo empresários que tiveram os primeiros negócios sem muito sucesso obtém sucesso nos negócios seguintes, e isso pode acontecer com você que ainda está no primeiro empreendimento, portanto o seu próximo negócio pode ser o negócio em que possa ter mais sucesso.
3. Falta de motivação e disposição
Você sente que vai trabalhar com motivação e disposição bem menores do que nos últimos tempos. Certamente, isso é percebido pela equipe de gestores e colaboradores e implica em perda de desempenho. Algumas alternativas são possíveis antes da venda: a primeira, é delegar a gestão executiva para outra pessoa; a segunda, é buscar fazer aquelas atividades que de fato te deem mais motivação, equilibrando com aquelas que são necessárias que você ainda faça, mesmo sem tanta motivação.
4. Falta de sucessores
Esse é o mais óbvio e mais fácil de constatar e o que envolve maior risco. Para o empresário, isso é ainda mais forte, pois a ausência de sucessores implica também em uma agenda familiar que é mais difícil de conciliar, pois não há como se negar que muitas conversas familiares envolvem os temas da empresa. Caso não haja sucessores, esse potencial benefício da convivência familiar também se perde. Com a venda da empresa e a possível distribuição dos recursos para os familiares, pode haver uma convergência de interesses nesses relacionamentos familiares do cotidiano, além, é claro, de preservar o valor da empresa para os herdeiros, pois os riscos da empresa se concentram na preservação da saúde do empresário.
5. Conflitos societários
Os conflitos societários não são desejáveis mas muitas vezes decorrem da mudança de pontos de vistas dos sócios, que podem mudar ao longo da jornada empresarial, seja por questão de crenças sobre o que a empresa tem que fazer, seja por conflito geracional. Alguns dos sócios podem querer a venda, enquanto outros desejam continuar no negócio, mas nenhuma das partes consegue comprar as quotas das demais. Esses conflitos certamente prejudicam o desempenho da empresa, deixando um clima não harmônico para os colaboradores.
6. Os concorrentes são melhores em eficiência, inovação e crescimento
Difícil de admitir muitas vezes, mas os concorrentes podem ser melhores, o que implica dizer que no médio e longo prazos, captarão boa parte do valor que hoje ainda a sua empresa tem, desde que sua empresa não consiga reverter essa situação. Alguns sinais podem ser vistos na perda de clientes e funcionários para a concorrência. Nessa hora, faz-se necessário avaliar os esforços que serão imprimidos para garantir que o valor da sua empresa continue crescendo ou, pelo menos, não diminuindo.
7. A sua empresa está sendo assediada por potenciais compradores/investidores
A sua empresa é muito boa e está crescendo, você está motivado, e os resultados são bons e muito provavelmente por isso a sua empresa tenha entrado no radar de potenciais compradores (concorrentes, fornecedores) e investidores, tais como fundos de private equity e investidores brasileiros ou do exterior. Esse é um bom sinal, e a decisão é mais difícil pois implica em você renunciar ao controle da sua empresa em um momento em que está dando tudo certo. Porém, nessa hora, é necessário tentar ser racional e calcular o valuation da sua empresa com você operando versus os benefícios de ficar com o recurso financeiro da venda em suas mãos. Nesse caso, faz sentido avaliar todos os cenários e fazer um cuidadoso planejamento do que decidir.
Fica o convite a você, empresário, a refletir sobre esses sinais e ser bastante cuidadoso antes de tomar qualquer decisão.
José Carlos Oyadomari (PhD). Possui mais de 40 anos de experiência empresarial nas áreas de controladoria e contabilidade gerencial. Professor desde 1983, atualmente leciona no Insper e no Mackenzie. Sócio da True Port Advisors (M&A). Consultor e conselheiro de empresas. Atua sempre com foco em melhorar a Rentabilidade e a Governança das empresas. Coautor do livro Contabilidade Gerencial (Gen Atlas). Instagram: @prof.oyadomari. Site: https://oyadomari.pro.br.



