Aprendizagem Reflexiva em Ação – um método para melhorar a rentabilidade das empresas

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Aprendizagem Reflexiva em Ação – um método para melhorar a rentabilidade das empresas

Em geral, é sabido que os próprios colaboradores têm as ideias e o conhecimento necessários que são suficientes para melhorar a rentabilidade das empresas em que atuam. Em alguns casos, é comum a percepção que a administração contrata consultores que falam exatamente o que todos já sabiam. Mesmo assim, existe a possibilidade dessas ideias acabarem se dispersando novamente, sem que de fato sejam efetivamente implementadas. Há exceções quando se trata de conhecimento técnico especializado que a organização não detém. Neste momento, as consultorias de fato aportam conteúdo e conhecimento e geram valor para organização.

O que também se sabe é que faltam espaços organizacionais para que essas ideias e conhecimentos sejam sistematizados e de fato se materializem em ações efetivas. Poucas vezes esses colaboradores conseguem desenvolver de forma isolada soluções aplicadas em seus Trabalhos de Conclusão de Curso de Pós-Graduação, principalmente quando há esse requisito dos trabalhos serem aplicáveis.

Neste artigo, eu descrevo um método que tenho utilizado para fazer projetos intervencionistas nas empresas em que combino treinamento com uma abordagem de consultoria e vice-versa. Minha experiência em projetos de educação e consultoria tem mostrado que falta de fato uma abordagem que facilite esse emergir de ideias e conhecimentos, mas que com a utilização de um método que motive e sistematize esse conhecimento, aumentam as chances desse conhecimento ser potencializado e transformado em ações concretas.

Eu chamo esse método de Aprendizagem Reflexiva em Ação. Reflexiva, principalmente porque, muitas vezes, as ideias não estão prontas, mas emergem dentro de um contexto aplicado. Ou seja, há uma motivação concreta para essa aprendizagem, mas ela precisa ser construída de forma coletiva. No caso específico em que atuo, que é a melhoria da rentabilidade, à medida que os colaboradores tomam conhecimento dos fundamentos e das alavancas da rentabilidade, que eu chamo de 2Ps (Melhoria da Margem de Produtos e Melhoria dos Processos) e 2Cs (Melhoria do Ciclo de Caixa e da Produtividade do Capex), sempre de forma aplicada aos números da empresa em que trabalham, há um despertamento de como esses colaboradores podem influenciar essas alavancas. Devidamente empoderados pela alta administração, passam a desenvolver projetos de melhoria que são mentorados de forma coletiva por um professor-consultor e por algum líder da própria empresa.

Nas minhas consultorias eu também adoto parte desse método, principalmente quando envolvo os profissionais no desenho das soluções, tendo mais o papel de facilitador do que de consultor como expert. Existem projetos que de fato eu não abro uma planilha para digitar um dado, os profissionais da empresa é quem desenvolvem as soluções e as ferramentas, com isso o conhecimento fica residente na organização, e há uma maior chance de êxito na implementação, pois foram os próprios colaboradores que construíram a solução.

Nas minhas aulas de pós-graduação também uso parcialmente essa abordagem, principalmente quando, ao final de cada tema, coloco um slide em branco com o título “reflexões para melhorar tal tema”. Nessa hora, os participantes são estimulados a explanarem suas ideias e eu faço esse registro.

As boas escolas de negócios há tempo desenvolvem projetos aplicados em programas de educação executiva customizados para empresas. O que talvez haja de diferente no método que eu uso é uma combinação de fatores. O método reúne tudo que aprendi lecionando a disciplina Solução de Problemas no curso de Doutorado Profissional em Controladoria, minhas experiências e aprendizados adquiridos em Consultoria e Educação Executiva. Parto sempre de um processo reflexivo para identificar os problemas, combinando uma abordagem baseada em evidências, utilizando hipóteses elaboradas também de forma abdutiva (aqui entra a imaginação), mas reconhecendo o conhecimento prévio dos participantes, para confirmar ou refutar as hipóteses, para em seguida desenvolver planos viáveis e sempre quantificados. De fato, é possível ver a materialização da construção da inteligência coletiva quando os conhecimentos então verbalizados se somam com os de outros participantes e chegam em soluções até então não imaginadas.

Me inspiro nas ideias de autores consagrados, como John Dewey e Donald Schön, mas principalmente nas crenças que sempre tive: as pessoas juntas produzem conhecimentos muito superiores ao que cada um sabe individualmente, e que cabe ao professor ou consultor, com humildade, dedicação e empatia, ser o instrumento que potencializa esse ambiente de aprendizagem e produção de conhecimento, dentro de um contexto aplicado. No meu caso, é o universo das empresas que buscam melhorar a rentabilidade.

José Carlos Oyadomari (PhD). Possui mais de 40 anos de experiência empresarial nas áreas de controladoria e contabilidade gerencial. Professor desde 1983, atualmente leciona no Insper e no Mackenzie. Sócio da True Port Advisors (M&A). Consultor, conselheiro de empresas e palestrante. Atua sempre com foco em  melhorar o Desempenho e a Governança das empresas.  Coautor do livro Contabilidade Gerencial (Gen Atlas). Instagram: @prof.oyadomari. Site: https://oyadomari.pro.br.

 

 

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