Todo mundo sabe que jabuti não sobe em árvore, consequentemente, se um desses répteis quelônios forem encontrados na copa frondosa de uma árvore, foi alguém que lá o colocou. É a mesma coisa de um criminoso, condenado em três instâncias judiciárias, sair da cadeia, onde se encontrava cumprindo pena, e ser colocado na Presidência da República. Assim como os jabutis, uma mão o colocou lá!
Que me desculpem os leitores que se derem ao trabalho de averiguar o que tenho a dizer nesses breves comentários, mas o transcorrer dos inefáveis episódios que qualificam a nossa república como a mais corrompida de que se tem notícia, cada vez mais se parece com a estória do jabuti, a que mencionamos linhas atrás.
Como não sou, nem pretendo ser jurista ou coisa que o valha, examinarei o assunto, como ele é: um caso inédito e escandaloso de corrupção na mais alta corte de justiça de nosso país. Caso que suscita uma minuciosa apuração dos crimes cometidos por magistrados da corte, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Tofolli, além do Prucurador Geral da República, Paulo Gonet, revelados pela Polícia Federal e dados a público pelo Relator do famigerado escândalo do Banco Master, o ministro valoroso André Mendonça.
Pelo que sei e diante dos fatos expostos cabia ao Presidente do STF reunir o colegiado e este autorizar a instalação das apurações, a fim de inocentar os seus protagonistas ou leva-los à prisão preventiva e o devido processo legal, com amplo direito de defesa, produzir os efeitos jurídicos condizentes com a gravidade e ineditismo dos fatos criminosos.
Não. Protegido com uma linguagem rocambolesca, o Presidente Edson Fachin, preferiu, como um autêntico jabuti, munido do chamado “órgão de Jacobson” na garganta, que confere aos jabutis farejar os odores do ambiente, subir na árvore, com suas patas volumosas e cogitar de transferir para si a função de Relator do caso Master, destituindo o corajoso Ministro André Mendonça, como se este, percebendo a monstruosidade das suspeições criminosos fosse o autor da desordem moral de um tribunal, cuja maior virtude deveria ser a decência e o compromisso com os valores e preceitos da Constituição brasileira.
Em meio a este turbilhão de acontecimentos mais confuso se torna o que era simples como a luz do dia. A suspeição de greves crimes – evidentes por si só exigiam profunda apuração – se inverteram numa falsa equivalência, e o que se via na copa da árvore, ao invés do imediato aprofundamentos dos fatos, era a oferta pelas mãos presidenciais de duas excrescência há muito reclamada pela nação, o fim do chamada decreto do fim do mundo e o tal código de ética para um tribunal, cuja ética é a sua natural essência.
Avoluma-se, no entanto, o clamor de uma nação adormecida pelo medo. Importantes instituições civis e a própria imprensa levantam a voz e pedem o afastamento dos ministros envolvidos e arautos da velha mídia estatizada consideram, embora tardiamente, “que o país está refém de um louco”.
Temo honestamente que, em realidade, considerando os fatos que se sucedem, o que se busca é uma saída, cuja prioridade não é salvaguardar a credibilidade e a confiança de uma tribunal superior, mas proteger seus membros e reconhecer que seus privilégios o fazem superiores às leis e às virtudes morais.




