UM PAÍS RESPEITÁVEL

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UM PAÍS RESPEITÁVEL

Segundo o presidente do Brasil, Lula da Silva, o Brasil não é um país respeitável. Para que ele se torne “respeitável”, o apedeuta presidencial afirmou que é necessário possuir um submarino de propulsão nuclear. Fundamenta essa prosopopeia submarina com perguntas que ficaram no ar perante uma plateia governamental sorridente, prestes a festejar o ingresso do Brasil entre as grandes potências nucleares do mundo, logo que esse submarino cingir submerso os oceanos do planeta. O tal objeto subaquático nuclear é um antigo projeto desenvolvido pela Marinha brasileira desde o ano 2000, através do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), em Iperó, interior paulista.

O presidente brasileiro visitou o laboratório em 2007 e, na ocasião, destinou 1,4 bilhão de reais para o ambicioso projeto; no entanto, a descontinuidade orçamentária condenou o sonho nuclear ao marasmo. Os anos se passaram, e o centro continuou a ver navios! Lula disse que o submarino era importante para a nossa soberania — palavra da moda, principalmente nos dias atuais, depois que os Estados Unidos classificaram “nossos criminosos” do narcotráfico como terroristas, prometeram caçá-los até embaixo da cama e aplicaram tarifas descomunais às nossas exportações para aquele país. Possuindo um submarino nuclear na sua frota de guerra naval, acreditava o presidente brasileiro que, entre outras vantagens — tais como a geração de empregos e o avanço tecnológico —, a soberania brasileira seria mais respeitada, e a capacidade de reagir às contingências da nova guerra fria que se instalou no mundo seria mais poderosa.

Uma vez que — já por três vezes seguidas — derrotamos a fome e a miséria da nossa população pobre, graças à eficácia das políticas compensatórias postas em prática pelo “pai dos pobres”, as deficiências orçamentárias que paralisaram o poderoso projeto do nosso submarino poderiam respirar através dos imaginários esforços financeiros centrados no BNDES e na Petrobras, cuja presidente, entre fogos e risos, recebeu calorosos abraços do inefável mandatário, enquanto uma plateia feliz e futurista derramava-se em aplausos laudatórios!

O discurso presidencial não poderia terminar sem mencionar que, na conclusão do projeto, o novo Brasil potência teria “tecnologia para dar e vender”, distribuindo essas indiscutíveis vantagens entre seus parceiros prediletos, tais como a Nicarágua, Cuba, o Irã e, quem sabe, até o Hamas no Oriente Médio. Afinal, imbatível no mar e na terra, a potência insurgente não precisa mais, como disse o seu astuto presidente, “andar de cabeça baixa” na relação com outros países. Quando se diz que o enriquecimento de urânio destina-se a fins pacíficos, é bom botar as barbas de molho.

O Brasil enriquece urânio a 2%, o suficiente para o uso pacífico do mineral. Soou estranho ouvir o presidente brasileiro, sem que houvesse motivo para isso, dizer que vai enriquecer urânio para “fins pacíficos”. Todo mundo sabe que o governo brasileiro mandou urânio para a Rússia e vendeu uma mina de estanho e urânio para a China por 2 bilhões de reais.Toda essa conversa fiada, urânio e submarino nuclear, envolve decisões estratégicas e vitais na vida de uma nação democrática.

Consequentemente, não pode passar em brancas nuvens, mas sim através de uma ampla discussão com a massa crítica constitutiva da sociedade nacional, ainda mais numa conjuntura marcada por profundas divisões quanto à trajetória geopolítica que vem sendo trilhada pelo Brasil.

Nas eleições de outubro, o voto levará em consideração o alto custo de vida enfrentado pelo país, a grave crise fiscal a que estamos submetidos e a corrupção sistêmica conducente a uma crise moral sem precedentes, porém não poderá olvidar o descalabro das contingências externas que nos ameaçam.

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